As figuras abaixo apresentam a distribuição de diferentes espécies ao longo de um gradiente ambiental (representado no eixo X). a) Diferencie a visão da estrutura e funcionamento entre ambas as comunidades. b) Cite um cenário na natureza que exemplifique a comunidade (a) e outra (b), justificando sua resposta.
Questão
As figuras abaixo apresentam a distribuição de diferentes espécies ao longo de um gradiente ambiental (representado no eixo X).
a) Diferencie a visão da estrutura e funcionamento entre ambas as comunidades.
b) Cite um cenário na natureza que exemplifique a comunidade (a) e outra (b), justificando sua resposta.
Duas figuras/gráficos (comunidades (a) e (b)) mostrando curvas de abundância de espécies ao longo de um gradiente ambiental (eixo X). Eixo Y rotulado como “Species abundance”. No gráfico superior há curvas agrupadas em dois conjuntos com pouca sobreposição; aparecem rótulos “Species A”, “Species B”, “Species C” e, à direita, “Species D”, “Species E”, “Species F”. No gráfico inferior há várias curvas com maior sobreposição ao longo do gradiente (sem rótulos de espécies legíveis além do eixo).
Resposta
86%a) Comunidade (a): visão “discreta”/em mosaico (tipo Clementsiana). As espécies formam conjuntos relativamente coesos, com limites mais nítidos ao longo do gradiente; há pouca sobreposição entre grupos e a mudança de composição ocorre de modo mais abrupto (ecótonos). O funcionamento é interpretado como mais integrado, com forte interdependência entre espécies dentro de cada conjunto.
Comunidade (b): visão “individualista” (tipo Gleasoniana). Cada espécie responde de forma própria ao gradiente ambiental; as curvas se sobrepõem bastante e a substituição de espécies é gradual, sem fronteiras comunitárias bem definidas. O funcionamento emerge da soma de respostas individuais e das interações locais, não de “unidades” comunitárias fechadas.
b) Exemplo para (a): transição floresta–campo (ou floresta–cerrado) em uma borda/fragmento, ou uma zonação bem marcada em costões rochosos. Justificativa: há faixas relativamente bem delimitadas (conjuntos de espécies) associadas a mudanças ambientais/estruturais mais abruptas (luz/umidade no ecótono; tempo de emersão e ação das ondas no costão).
Exemplo para (b): gradiente altitudinal em uma encosta de montanha (ou gradiente de umidade/solo ao longo de uma vertente), onde diferentes espécies arbóreas/herbáceas têm ótimos e amplitudes distintos e se sobrepõem. Justificativa: a composição muda continuamente com a altitude/umidade, com ampla sobreposição de distribuições e substituição gradual de espécies.
Explicação
Pelos gráficos:
- Em (a), as curvas de abundância aparecem organizadas em “blocos” com pouca sobreposição: um conjunto de espécies domina uma faixa do gradiente e, após certo ponto, outro conjunto passa a dominar. Isso sugere comunidades com limites mais nítidos (ecótonos) e espécies que tendem a ocorrer juntas, como se a comunidade fosse uma unidade relativamente integrada.
- Em (b), as curvas se sobrepõem amplamente ao longo do gradiente. Cada espécie tem um pico (ótimo ecológico) e uma amplitude própria, gerando uma mudança contínua na composição, sem fronteiras claras.
Relação com as interpretações clássicas:
- (a) se aproxima da visão Clementsiana (comunidade como “superorganismo”/unidade discreta).
- (b) se aproxima da visão Gleasoniana (conceito individualista: distribuições resultam principalmente da tolerância e resposta de cada espécie ao ambiente).
Por isso, exemplos naturais coerentes são:
- Para (a), sistemas com zoneamento/faixas bem marcadas ou transições abruptas (p. ex., costão rochoso; ecótonos floresta–campo/fragmentação).
- Para (b), gradientes contínuos (p. ex., altitude em montanhas; umidade/solo em encostas), onde a substituição de espécies costuma ser gradual e com grande sobreposição.