7. Considere o seguinte pedigree: a) Indique o provável modo de herança. (0,5v) b) Justifica a opção. (1,5v)
Questão
- Considere o seguinte pedigree:
a) Indique o provável modo de herança. (0,5v)
b) Justifica a opção. (1,5v)
Diagrama de pedigree (heredograma):
- Geração I: casal não afetado (quadrado branco ligado a círculo branco).
- Geração II (descendentes do casal da geração I): quatro filhos: três não afetados (círculo branco, círculo branco, quadrado branco) e um homem afetado (quadrado preenchido). À esquerda, um dos círculos brancos está ligado a um homem não afetado (quadrado branco). À direita, o homem afetado (quadrado preenchido) está ligado a uma mulher não afetada (círculo branco).
- Geração III:
- Do casal da esquerda (quadrado branco + círculo branco): dois filhos, uma mulher não afetada (círculo branco) e um homem afetado (quadrado preenchido).
- Do casal da direita (quadrado preenchido + círculo branco): uma filha não afetada (círculo branco).
Resposta
82%a) Herança recessiva ligada ao X.
b) Justificativa:
- O caráter aparece principalmente em homens: há dois indivíduos afetados e ambos são do sexo masculino (quadrados preenchidos), o que é típico de herança recessiva ligada ao X, pois homens (XY) manifestam o fenótipo ao receberem um único alelo mutante no cromossomo X.
- Há filho homem afetado (Geração III) nascido de pais não afetados (Geração II, casal da esquerda). Isso sugere mãe portadora (heterozigota) e pai normal, compatível com herança recessiva ligada ao X: mãe (não afetada) + pai (não afetado) pode gerar filho (afetado).
- Não há transmissão obrigatória pai-filho (homem para homem). Em características ligadas ao X, um pai não transmite seu cromossomo X aos filhos homens (transmite o Y), então a ausência de padrão de “pai afetado → filho homem afetado” é coerente.
- O homem afetado da Geração II, ao ter uma filha com mulher não afetada, gera filha não afetada (Geração III). Isso é compatível: um pai afetado () transmite necessariamente seu às filhas; para a filha ser afetada, a mãe também precisaria fornecer um (mãe portadora/afetada). Como a filha é não afetada, ela pode ser portadora () se a mãe tiver fornecido .
- O padrão também é pouco compatível com herança autossômica dominante (pois há afetado surgindo de pais não afetados sem indícios de mutação nova) e com herança ligada ao Y (pois haveria transmissão direta e obrigatória de pai para todos os filhos homens, o que não ocorre).
Explicação
Para identificar o modo de herança, observo no heredograma: (1) quem é afetado (sexo), (2) se há “saltos” de geração (pais não afetados com filhos afetados) e (3) se existe transmissão pai→filho homem.
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Predomínio em homens No seu pedigree, os indivíduos afetados são homens. Em herança recessiva ligada ao X isso é comum, porque o homem precisa de apenas um alelo mutante no X para manifestar (ele não tem um segundo X para “compensar”).
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Filho afetado de pais não afetados No casal da esquerda na Geração II, ambos são não afetados, mas há um filho homem afetado na Geração III. Esse é um indício forte de padrão recessivo (não dominante). Em ligada ao X, a explicação mais provável é: a mãe é portadora () e o pai é normal (). Assim, há 50% de chance de filhos homens serem afetados ().
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Ausência de transmissão homem→homem Não vemos um padrão de pai afetado gerando filho homem afetado. Em ligada ao X isso faz sentido: pai passa o Y para os filhos homens, não o X.
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Pai afetado com filha não afetada O homem afetado (Geração II) tem uma filha não afetada (Geração III). Se a herança fosse dominante ligada ao X, toda filha de pai afetado tenderia a ser afetada. Como não é o caso, isso apoia a hipótese recessiva ligada ao X: a filha recebe o X mutante do pai, mas se receber um X normal da mãe, será não afetada (portadora).
Conclusão: o conjunto de pistas (afetados homens, surgimento em filho de pais não afetados, ausência de transmissão pai→filho homem e filha de pai afetado não necessariamente afetada) é mais consistente com herança recessiva ligada ao X.