Ao chegar até ele, nota, de imediato, uma deformidade no membro inferior. Observa, também, que o fêmur foi deslocado anterior e medialmente, pois é possível perceber que o côndilo medial do fêmur descreve uma “bola” na margem medial do joelho. O aluno permanece inerte, com a mãos sobre o joelho. Nitidamente, não consegue movimentar a articulação. Suponha que você é o instrutor responsável e responda: A) De que tipo de lesão você irá tratar? B) Quais procedimentos deverão ser adotados?

Questão

Ao chegar até ele, nota, de imediato, uma deformidade no membro inferior. Observa, também, que o fêmur foi deslocado anterior e medialmente, pois é possível perceber que o côndilo medial do fêmur descreve uma “bola” na margem medial do joelho. O aluno permanece inerte, com a mãos sobre o joelho. Nitidamente, não consegue movimentar a articulação.

Suponha que você é o instrutor responsável e responda: A) De que tipo de lesão você irá tratar? B) Quais procedimentos deverão ser adotados?

Resposta

78%

A) Trata-se, muito provavelmente, de uma luxação do joelho (luxação tibiofemoral), com deslocamento anterior e medial do fêmur em relação à tíbia, caracterizando deformidade importante e incapacidade de movimentar a articulação.

B) Procedimentos a serem adotados (primeiros socorros/conduta inicial):

  1. Garantir segurança da cena e interromper a atividade.
  2. Acionar imediatamente o serviço de emergência (SAMU/192) e/ou encaminhamento urgente ao pronto-socorro, pois luxação de joelho é lesão grave com alto risco de comprometimento vascular e nervoso.
  3. Não tentar reduzir (“colocar no lugar”) a articulação no local.
  4. Avaliar e monitorar circulação e sensibilidade distal:
    • Palpar pulsos distais (pedioso e tibial posterior), observar perfusão (cor/temperatura), tempo de enchimento capilar.
    • Verificar sensibilidade e motricidade do pé/tornozelo (atenção ao nervo fibular comum).
    • Reavaliar periodicamente e registrar alterações.
  5. Imobilizar o membro na posição encontrada, estabilizando joelho e segmentos adjacentes (imobilização longa), evitando qualquer movimento.
  6. Controlar dor e edema com medidas não invasivas:
    • Gelo protegido (sem contato direto com a pele) por períodos curtos, se possível.
    • Elevação do membro apenas se não aumentar dor/deformidade e sem perda de alinhamento (prioridade: imobilização).
  7. Remover objetos constritivos (meias, tornozeleiras, etc.) se não houver risco de piorar a lesão, para evitar estrangulamento com edema.
  8. Manter o aluno em repouso, aquecido, em observação para sinais de choque (palidez, sudorese, tontura), sem oferecer alimentos/bebidas.
  9. Transporte somente por equipe treinada/ambulância, mantendo a imobilização e a vigilância neurovascular até avaliação hospitalar.

Explicação

Pelos achados descritos (deformidade evidente, “bola” medial sugerindo proeminência óssea/posição anormal do côndilo femoral, deslocamento anterior e medial, incapacidade de mover o joelho), o quadro é compatível com luxação do joelho (tibiofemoral). Essa lesão é considerada urgência porque frequentemente está associada a lesões ligamentares extensas e pode causar lesão da artéria poplítea e/ou do nervo fibular comum, podendo ameaçar a viabilidade do membro.

Por isso, a conduta correta fora do ambiente hospitalar é de não manipular/reduzir, imobilizar na posição encontrada, acionar emergência e monitorar perfusão e função neurológica distal (pulsos, enchimento capilar, sensibilidade e movimento do pé). O gelo e o conforto são medidas adjuvantes, mas a prioridade é impedir agravamento e garantir atendimento hospitalar rápido para avaliação vascular e ortopédica.

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