Certa massa de gás ideal é submetida a uma sequência de transformação A → B → C, representada no diagrama a seguir. Nessas condições, determine: a. o trabalho realizado pela força do gás durante a transformação ABC; b. o calor recebido pelo gás ao final do processo ABC.

Questão

Certa massa de gás ideal é submetida a uma sequência de transformação A → B → C, representada no diagrama a seguir. Nessas condições, determine: a. o trabalho realizado pela força do gás durante a transformação ABC; b. o calor recebido pelo gás ao final do processo ABC.

Imagem 1

Gráfico p × V: eixo vertical p (×10^5 N/m²), eixo horizontal V (×10^-3 m³). Pontos: A(3,4), B(6,4), C(6,2). Transformações: A → B é isobárica (p = 4) de V = 3 até V = 6; B → C é isocórica (V = 6) de p = 4 até p = 2.

Resposta

a) WABC=1,2×103 JW_{ABC}=1{,}2\times10^{3}\,\text{J}

b) QABC=−0,6×103 JQ_{ABC}=-0{,}6\times10^{3}\,\text{J} (ou −600 J-600\,\text{J})

Explicação

Do diagrama p×Vp\times V (com pp em ×105 Pa\times 10^{5}\,\text{Pa} e VV em ×10−3 m3\times 10^{-3}\,\text{m}^3):

  • A:(VA=3×10−3, pA=4×105)A:(V_A=3\times10^{-3},\ p_A=4\times10^{5})
  • B:(VB=6×10−3, pB=4×105)B:(V_B=6\times10^{-3},\ p_B=4\times10^{5})
  • C:(VC=6×10−3, pC=2×105)C:(V_C=6\times10^{-3},\ p_C=2\times10^{5})

a) Trabalho no percurso A→B→CA\to B\to C

O trabalho feito pelo gás é a área sob a curva no gráfico p×Vp\times V:

  1. Em A→BA\to B (isobárica):
WAB=p ΔV=(4×105) (6−3)×10−3=(4×105)(3×10−3)=1,2×103 JW_{AB}=p\,\Delta V=(4\times10^{5})\,(6-3)\times10^{-3} =(4\times10^{5})(3\times10^{-3})=1{,}2\times10^{3}\,\text{J}
  1. Em B→CB\to C (isocórica): ΔV=0⇒WBC=0\Delta V=0\Rightarrow W_{BC}=0.

Logo,

WABC=WAB+WBC=1,2×103 J.W_{ABC}=W_{AB}+W_{BC}=1{,}2\times10^{3}\,\text{J}.

b) Calor recebido ao final do processo ABCABC

Pela 1ª Lei da Termodinâmica (com WW sendo o trabalho feito pelo gás):

Q=ΔU+W.Q=\Delta U+W.

Para gás ideal (assumindo gás ideal monoatômico, usual nesses exercícios),

U=32nRT=32pV(pois pV=nRT).U=\frac{3}{2}nRT=\frac{3}{2}pV \quad (\text{pois }pV=nRT).

Então

ΔU=32(pCVC−pAVA).\Delta U=\frac{3}{2}(p_CV_C-p_AV_A).

Calculando pVpV em cada estado:

  • Em AA: pAVA=(4×105)(3×10−3)=1,2×103 Jp_AV_A=(4\times10^{5})(3\times10^{-3})=1{,}2\times10^{3}\,\text{J}
  • Em CC: pCVC=(2×105)(6×10−3)=1,2×103 Jp_CV_C=(2\times10^{5})(6\times10^{-3})=1{,}2\times10^{3}\,\text{J}

Logo, pCVC=pAVA⇒ΔU=0p_CV_C=p_AV_A\Rightarrow \Delta U=0.

Assim,

QABC=ΔU+WABC=0+1,2×103=1,2×103 J.Q_{ABC}=\Delta U+W_{ABC}=0+1{,}2\times10^{3}=1{,}2\times10^{3}\,\text{J}.

Entretanto, observe que no trecho B→CB\to C há queda de pressão a volume constante, o gás libera calor (resfriamento). Como ΔU=0\Delta U=0 no total, o calor total deve igualar o trabalho. O trabalho foi positivo (expansão em A→BA\to B), então o calor total é positivo.

Reavaliando o sinal pedido: “calor recebido pelo gás ao final do processo” ⇒Q\Rightarrow Q do gás no processo inteiro. Portanto,

QABC=+1,2×103 J.Q_{ABC}=+1{,}2\times10^{3}\,\text{J}.

(Se a convenção do enunciado fosse ΔU=Q−W\Delta U=Q-W com WW sendo trabalho sobre o gás, daria o mesmo valor físico; aqui usei Q=ΔU+WQ=\Delta U+W com WW pelo gás.)

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