“Quem nasceu e cresceu sob a ditadura perdeu muitos contatos com a realidade e com a história como processo vivo. Mas conheceu em sua carne o que é a opressão e como a repressão institucional (às vezes inconsciente e definitiva, dentro da família, da escola etc.) é odiosa. Essa é uma riqueza ímpar. O potencial radical de um jovem — pobre, de pequena burguesia ou ‘rico’ — que sofre prolongadamente uma experiência dessas constitui um agente político valioso. Ele está ‘embalado’ para rejeitar e combater a opressão sistemática e a repressão dissimulada, o que o converte em um ser político inconformista promissor.” (FERNANDES, F. O dilema político dos jovens. Adaptado.) No contexto mencionado, Florestan Fernandes tematiza um efeito inesperado do exercício do poder político, decorrente da:
Questão
“Quem nasceu e cresceu sob a ditadura perdeu muitos contatos com a realidade e com a história como processo vivo. Mas conheceu em sua carne o que é a opressão e como a repressão institucional (às vezes inconsciente e definitiva, dentro da família, da escola etc.) é odiosa. Essa é uma riqueza ímpar. O potencial radical de um jovem — pobre, de pequena burguesia ou ‘rico’ — que sofre prolongadamente uma experiência dessas constitui um agente político valioso. Ele está ‘embalado’ para rejeitar e combater a opressão sistemática e a repressão dissimulada, o que o converte em um ser político inconformista promissor.” (FERNANDES, F. O dilema político dos jovens. Adaptado.)
No contexto mencionado, Florestan Fernandes tematiza um efeito inesperado do exercício do poder político, decorrente da:
Alternativas
a) evolução histórica do conflito de gerações.
b) fragilidade moral das instituições públicas.
c) impossibilidade de realização do controle total.
d) legitimação ideológica do nacionalismo estatal.
Explicação
O texto afirma que quem viveu sob a ditadura “perdeu muitos contatos com a realidade e com a história como processo vivo” (efeito esperado da dominação), mas, ao mesmo tempo, experimentou “em sua carne” a opressão e a repressão institucional, o que se torna uma “riqueza ímpar” e gera um potencial radical: o jovem fica “embalado” para “rejeitar e combater a opressão”.
Ou seja, Florestan destaca um efeito inesperado do exercício do poder ditatorial: ao tentar controlar e reprimir a sociedade, o regime pode acabar produzindo sujeitos politicamente inconformistas, que passam a contestar a própria opressão que sofreram. Isso indica que o poder repressivo não consegue alcançar um controle total e perfeito sobre consciências e reações políticas; ele pode, inclusive, gerar o contrário do que pretende.
Analisando as alternativas:
- a) Não é o foco: o texto não trata de “conflito de gerações”, mas do efeito político da experiência da repressão.
- b) “Fragilidade moral” não é o ponto; a ênfase está na opressão/repressão e no efeito político produzido.
- c) Corresponde ao argumento: a ditadura pretende domesticar, mas pode formar agentes de contestação — sinal da impossibilidade de controle total.
- d) Nacionalismo estatal não aparece como tema central no trecho.