Em uma área de milho surgem lesões inicialmente encharcadas que evoluem para manchas claras e irregulares. O período tem sido quente e úmido, e houve granizo poucos dias antes do aumento dos sintomas. Não são observadas pústulas nem estruturas de esporulação sobre as lesões. Coutinho e Venter (2009) descrevem Pantoea ananatis como bactéria capaz de penetrar por aberturas naturais e ferimentos. Nessa situação, interpretar o problema como ferrugem e aplicar fungicidas repetidamente pode gerar baixa resposta, porque a etiologia e o modo de entrada do agente exigem outro enfoque de manejo. Com base nessas informações e nos conteúdos estudados, qual alternativa apresenta a interpretação e o manejo mais coerentes?

Questão

Em uma área de milho surgem lesões inicialmente encharcadas que evoluem para manchas claras e irregulares. O período tem sido quente e úmido, e houve granizo poucos dias antes do aumento dos sintomas. Não são observadas pústulas nem estruturas de esporulação sobre as lesões. Coutinho e Venter (2009) descrevem Pantoea ananatis como bactéria capaz de penetrar por aberturas naturais e ferimentos. Nessa situação, interpretar o problema como ferrugem e aplicar fungicidas repetidamente pode gerar baixa resposta, porque a etiologia e o modo de entrada do agente exigem outro enfoque de manejo.

Com base nessas informações e nos conteúdos estudados, qual alternativa apresenta a interpretação e o manejo mais coerentes?

Alternativas

A) Diagnosticar ferrugem-polissora pela ausência de pústulas e priorizar produtos voltados a fungos biotróficos.

B) Diagnosticar enfezamento pálido e direcionar todo o manejo para a cigarrinha, pois lesões claras são típicas de patógenos do floema.

Resposta certa

C) Suspeitar de mancha-branca bacteriana e priorizar medidas preventivas, híbridos tolerantes, redução de fontes de inocúlo e práticas que diminuam ferimentos e molhamento.

D) Considerar podridão de espiga e aumentar a densidade de plantas para reduzir a entrada de água no dossel.

Explicação

1) Interpretação do quadro (diagnóstico mais coerente)

  • O enunciado descreve lesões inicialmente encharcadas (aspecto “water-soaked”) que evoluem para manchas claras e irregulares, em condição quente e úmida.
  • Houve granizo poucos dias antes: isso cria ferimentos, que são portas de entrada importantes para vários patógenos, especialmente bactérias.
  • Não há pústulas nem estruturas de esporulação visíveis sobre as lesões, o que enfraquece a hipótese de ferrugem (doenças de ferrugem tipicamente formam pústulas/uredínias visíveis).
  • O próprio texto cita Pantoea ananatis (Coutinho e Venter, 2009) como bactéria que penetra por aberturas naturais e ferimentos, exatamente o cenário pós-granizo.

Tudo isso aponta para mancha-branca bacteriana (associada a Pantoea ananatis) como interpretação mais consistente do problema.

2) Por que fungicida repetido teria baixa resposta

  • Fungicidas são voltados a fungos; se a etiologia for bacteriana, a resposta tende a ser baixa ou inconsistente, principalmente quando o fator determinante é entrada por ferimentos + molhamento e não um fungo biotrófico formando pústulas.

3) Manejo mais coerente com etiologia e modo de entrada Para um quadro compatível com mancha-branca bacteriana, o enfoque é majoritariamente preventivo e integrado:

  • Híbridos tolerantes/resistentes (reduz severidade).
  • Redução de fontes de inóculo e manejo de restos culturais/voluntárias, quando aplicável.
  • Práticas que reduzam ferimentos (não controlar granizo, mas evitar operações que machuquem plantas quando molhadas; reduzir estresses que aumentem predisposição).
  • Reduzir período de molhamento foliar (manejo de irrigação quando existir; favorecer aeração do dossel dentro do possível; evitar tráfego/operar com plantas molhadas).

4) Análise rápida das alternativas

  • A) Incoerente: ferrugens (como ferrugem-polissora) não são diagnosticadas pela ausência de pústulas; ao contrário, a presença de pústulas é um sinal marcante.
  • B) Enfezamentos (fitoplasmas/espiroplasma) cursam com cloroses sistêmicas, enfezamento e alterações generalizadas, não com “lesões encharcadas” localizadas associadas a ferimentos por granizo.
  • D) Podridão de espiga não explica o padrão foliar descrito; e aumentar densidade geralmente piora microclima (mais umidade no dossel), não é medida lógica.

Portanto, a alternativa que combina melhor sintomas + clima + evento de granizo + ausência de pústulas/esporulação + modo de entrada por ferimentos é a C.

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