O modelo de desenvolvimento hegemônico, pautado na exploração intensiva de recursos e na racionalidade técnica, tem enfrentado críticas crescentes devido à sua incapacidade de responder aos desafios socioambientais globais. Nesse cenário, a literatura sobre sustentabilidade propõe uma revisão dos marcos teóricos e práticos que orientam a gestão do território, resgatando a importância das cosmologias e dos sistemas de conhecimento dos povos originários. Esse movimento não busca apenas a preservação de tradições, mas a construção de novos horizontes para a governança ambiental. Diante da premissa de que a valorização desses saberes implica profundos desdobramentos políticos e sociais, assinale a alternativa que justifica essa perspectiva:
Questão
O modelo de desenvolvimento hegemônico, pautado na exploração intensiva de recursos e na racionalidade técnica, tem enfrentado críticas crescentes devido à sua incapacidade de responder aos desafios socioambientais globais. Nesse cenário, a literatura sobre sustentabilidade propõe uma revisão dos marcos teóricos e práticos que orientam a gestão do território, resgatando a importância das cosmologias e dos sistemas de conhecimento dos povos originários. Esse movimento não busca apenas a preservação de tradições, mas a construção de novos horizontes para a governança ambiental.
Diante da premissa de que a valorização desses saberes implica profundos desdobramentos políticos e sociais, assinale a alternativa que justifica essa perspectiva:
Alternativas
a) O reconhecimento dos saberes originários contribui para fortalecer a participação social, o diálogo intercultural e a construção de políticas públicas mais democráticas e eficazes.
b) A participação dos povos originários nos debates ambientais deve ocorrer apenas em contextos locais, sem articulação nacional.
c) A valorização desses conhecimentos limita-se à preservação de línguas indígenas, sem relação direta com a gestão ambiental.
d) A incorporação desses saberes tem caráter simbólico e não influencia processos decisórios ou políticas públicas.
e) Os saberes dos povos originários são incompatíveis com práticas profissionais contemporâneas voltadas à sustentabilidade.
Explicação
O enunciado afirma que a crítica ao modelo hegemônico de desenvolvimento leva a uma revisão de marcos teóricos e práticos da gestão do território, recuperando cosmologias e conhecimentos de povos originários não apenas como preservação cultural, mas como base para novos horizontes de governança ambiental.
Se a valorização desses saberes gera “profundos desdobramentos políticos e sociais”, isso significa que ela:
- amplia quem participa da definição de prioridades e regras (participação social);
- exige diálogo intercultural (porque envolve sistemas de conhecimento distintos do paradigma técnico dominante);
- pode transformar processos decisórios e políticas públicas, tornando-as mais democráticas (ao incluir sujeitos historicamente marginalizados) e potencialmente mais eficazes (ao incorporar conhecimento local/territorial e formas alternativas de manejo ambiental).
Analisando as alternativas:
- (a) traduz exatamente esses efeitos políticos e sociais: participação, interculturalidade e políticas públicas mais democráticas/eficazes.
- (b) restringe indevidamente a participação ao “local”, contrariando a ideia de governança mais ampla.
- (c) reduz a valorização a um aspecto linguístico e nega a conexão com gestão ambiental, o que contraria o texto.
- (d) diz que é apenas simbólico e sem influência decisória, o oposto do argumento.
- (e) afirma incompatibilidade com práticas contemporâneas de sustentabilidade, quando o texto sugere justamente contribuição para novos marcos.
Alternativa correta: (a).