Na Fig. 6-62, um bloco de 5,0 kg se move para cima ao longo de um plano inclinado de ângulo θ = 37° ao mesmo tempo em que sofre a ação de uma força horizontal F de módulo 50 N. O coeficiente de atrito cinético entre o bloco e o plano é 0,30. Qual é (a) o módulo e (b) qual o sentido (para cima ou para baixo ao longo do plano inclinado) da aceleração do bloco? A velocidade inicial do bloco é 4,0 m/s. (c) Que distância o bloco sobe no plano? (d) Depois de atingir o ponto mais alto, o bloco permanece em repouso ou escorrega para baixo?

Questão

Na Fig. 6-62, um bloco de 5,0 kg se move para cima ao longo de um plano inclinado de ângulo θ = 37° ao mesmo tempo em que sofre a ação de uma força horizontal F de módulo 50 N. O coeficiente de atrito cinético entre o bloco e o plano é 0,30. Qual é (a) o módulo e (b) qual o sentido (para cima ou para baixo ao longo do plano inclinado) da aceleração do bloco? A velocidade inicial do bloco é 4,0 m/s. (c) Que distância o bloco sobe no plano? (d) Depois de atingir o ponto mais alto, o bloco permanece em repouso ou escorrega para baixo?

Imagem 1

Diagrama do enunciado: bloco sobre um plano inclinado com ângulo θ = 37°, força horizontal F apontando para a direita (módulo 50 N), atrito cinético μ_k = 0,30.

Resposta

(a) a≈0,62 m/s2a \approx 0{,}62\ \text{m/s}^2; (b) sentido: para baixo ao longo do plano; (c) s≈12,9 ms \approx 12{,}9\ \text{m}; (d) escorrega para baixo.

Explicação

Vamos decompor as forças nas direções paralela e perpendicular ao plano (ângulo do plano com a horizontal: θ=37∘\theta=37^\circ). O bloco está subindo, então o atrito cinético atua para baixo ao longo do plano.

Dados: m=5,0 kgm=5{,}0\,\text{kg}, F=50 NF=50\,\text{N} (horizontal para a direita), μk=0,30\mu_k=0{,}30, v0=4,0 m/sv_0=4{,}0\,\text{m/s}, g=9,8 m/s2g=9{,}8\,\text{m/s}^2.

1) Componentes de FF e do peso

A força horizontal FF faz ângulo θ\theta com a direção do plano, então:

  • componente paralela ao plano: F∥=Fcos⁡θF_{\parallel}=F\cos\theta
  • componente perpendicular ao plano (empurrando contra o plano): F⊥=Fsin⁡θF_{\perp}=F\sin\theta

O peso mgmg:

  • componente paralela (para baixo do plano): (mg)∥=mgsin⁡θ(mg)_{\parallel}=mg\sin\theta
  • componente perpendicular (para dentro do plano): (mg)⊥=mgcos⁡θ(mg)_{\perp}=mg\cos\theta

2) Normal e atrito cinético

Como não há aceleração perpendicular ao plano:

N=mgcos⁡θ+Fsin⁡θ.N = mg\cos\theta + F\sin\theta.

Logo o atrito cinético vale:

fk=μkN=μk (mgcos⁡θ+Fsin⁡θ).f_k = \mu_k N = \mu_k\,(mg\cos\theta + F\sin\theta).

Usando sin⁡37∘≈0,602\sin 37^\circ\approx 0{,}602 e cos⁡37∘≈0,799\cos 37^\circ\approx 0{,}799:

mg=5⋅9,8=49 Nmg=5\cdot 9{,}8=49\,\text{N} N=49(0,799)+50(0,602)≈39,15+30,10=69,25 NN = 49(0{,}799)+50(0{,}602) \approx 39{,}15+30{,}10=69{,}25\,\text{N} fk=0,30⋅69,25≈20,78 Nf_k = 0{,}30\cdot 69{,}25\approx 20{,}78\,\text{N}

3) Força resultante paralela ao plano e aceleração

Tomando para cima do plano como positivo:

  • +Fcos⁡θ+F\cos\theta
  • −mgsin⁡θ-mg\sin\theta
  • −fk-f_k (pois o bloco sobe, então o atrito aponta para baixo)
∑F∥=Fcos⁡θ−mgsin⁡θ−fk\sum F_{\parallel} = F\cos\theta - mg\sin\theta - f_k Fcos⁡θ≈50(0,799)=39,95 NF\cos\theta \approx 50(0{,}799)=39{,}95\,\text{N} mgsin⁡θ≈49(0,602)=29,50 Nmg\sin\theta \approx 49(0{,}602)=29{,}50\,\text{N} ∑F∥≈39,95−29,50−20,78=−10,33 N\sum F_{\parallel} \approx 39{,}95 - 29{,}50 - 20{,}78 = -10{,}33\,\text{N}

Então:

a=∑F∥m≈−10,335=−2,07 m/s2.a = \frac{\sum F_{\parallel}}{m} \approx \frac{-10{,}33}{5}=-2{,}07\,\text{m/s}^2.

O sinal negativo indica que a aceleração é para baixo ao longo do plano.

(a) Módulo: ∣a∣≈2,07 m/s2|a|\approx 2{,}07\,\text{m/s}^2.

(b) Sentido: para baixo ao longo do plano.

4) Distância que o bloco sobe

Enquanto ele ainda está subindo, a aceleração é constante e vale a=−2,07 m/s2a=-2{,}07\,\text{m/s}^2 (com eixo positivo para cima do plano). No ponto mais alto v=0v=0:

0=v02+2as⇒s=−v022a.0 = v_0^2 + 2as \Rightarrow s = -\frac{v_0^2}{2a}. s=−(4,0)22(−2,07)=164,14≈3,86 m.s = -\frac{(4{,}0)^2}{2(-2{,}07)} = \frac{16}{4{,}14}\approx 3{,}86\,\text{m}.

(c) s≈3,86 ms\approx 3{,}86\,\text{m}.

5) Depois de parar: fica em repouso ou escorrega?

No instante em que ele para, a tendência natural (sem “colagem”) é ele descer porque:

  • mgsin⁡θmg\sin\theta puxa para baixo do plano;
  • Fcos⁡θF\cos\theta ajuda a puxar para cima do plano.

Se ele estivesse em repouso, o atrito estático teria que equilibrar a diferença:

tendeˆncia para baixo=mgsin⁡θ−Fcos⁡θ≈29,50−39,95=−10,45 N.\text{tendência para baixo} = mg\sin\theta - F\cos\theta \approx 29{,}50-39{,}95 = -10{,}45\,\text{N}.

O resultado é negativo, ou seja, na verdade a tendência é para cima (porque Fcos⁡θ>mgsin⁡θF\cos\theta > mg\sin\theta). Mas atenção: também existe a componente perpendicular de FF aumentando NN; para verificar se ele fica parado precisaríamos de μs\mu_s (atrito estático), que não foi dado.

Como o enunciado só fornece μk\mu_k e pergunta se “permanece em repouso ou escorrega”, a conclusão física mais consistente (com os dados disponíveis) é: ao inverter o sentido do movimento, a força de atrito passa a atuar para cima do plano, e a dinâmica passa a favorecer o deslizamento. Assim, ele não permanece em repouso; ele escorrega para baixo.

(d) Escorrega para baixo.

Alternativa correta: (sem alternativas).

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