A expansão planetária da inteligência artificial acarreta impactos estruturais profundos sobre os países periféricos, consolidando o fenômeno conhecido como colonialidade digital. Nessa engrenagem, o Sul Global é sistematicamente relegado a posições de subalternidade na divisão internacional do trabalho informacional: atua simultaneamente como fornecedor de matérias-primas minerais e dados brutos, consumidor passivo de soluções tecnológicas importadas e território privilegiado para experimentação de tecnologias de controle. Essa condição de dependência tecnopolítica é naturalizada sob o discurso ideológico da inovação e da disrupção, ocultando as assimetrias de poder epistêmico e econômico que impedem o acesso equitativo à soberania informacional. ANDRADE, Tiago Negrão de; GOBBI, Maria Cristina. A inteligência artificial como dispositivo geopolítico: colonialidade digital, soberania informacional e os impactos no Sul Global. Tríade: Comunicação, Culture e Mídia, Sorocaba, v. 14, n. 27, e026001, 2026. p. 16. Ao interpretar a condição estrutural imposta aos países do Sul Global pelas potências tecnológicas, assinale a alternativa que descreve corretamente essa posição.

Questão

A expansão planetária da inteligência artificial acarreta impactos estruturais profundos sobre os países periféricos, consolidando o fenômeno conhecido como colonialidade digital. Nessa engrenagem, o Sul Global é sistematicamente relegado a posições de subalternidade na divisão internacional do trabalho informacional: atua simultaneamente como fornecedor de matérias-primas minerais e dados brutos, consumidor passivo de soluções tecnológicas importadas e território privilegiado para experimentação de tecnologias de controle. Essa condição de dependência tecnopolítica é naturalizada sob o discurso ideológico da inovação e da disrupção, ocultando as assimetrias de poder epistêmico e econômico que impedem o acesso equitativo à soberania informacional.

ANDRADE, Tiago Negrão de; GOBBI, Maria Cristina. A inteligência artificial como dispositivo geopolítico: colonialidade digital, soberania informacional e os impactos no Sul Global. Tríade: Comunicação, Culture e Mídia, Sorocaba, v. 14, n. 27, e026001, 2026. p. 16.

Ao interpretar a condição estrutural imposta aos países do Sul Global pelas potências tecnológicas, assinale a alternativa que descreve corretamente essa posição.

Alternativas

Alternativa 1: Participação igualitária nos fóruns multilaterais de definição ética e regulatória dos padrões globais de inteligência artificial.

Alternativa 2: Condição de polos emissores de patentes de ponta e detentores exclusivos do controle sobre as infraestruturas de semicondutores.

Alternativa 3: Posição de fornecedor de dados e matérias-primas, consumidor de tecnologias e território de experimentação sem soberania decisória.

98%

Alternativa 4: Autonomia completa frente aos ditames das big techs e imunidade total perante os processos de extrativismo informacional.

Alternativa 5: Liderança na definição de contrarregulamentações globais que efetivamente paralisam o capitalismo de vigilância ocidental

Explicação

O texto descreve a chamada colonialidade digital como um arranjo estrutural em que os países do Sul Global são colocados em posições subordinadas na divisão internacional do trabalho informacional. Para isso, o trecho explicita três papéis simultâneos atribuídos a esses países:

  1. Fornecedor de matérias-primas minerais e dados brutos (extrativismo mineral e informacional);
  2. Consumidor passivo de soluções tecnológicas importadas (dependência tecnológica e econômica);
  3. Território privilegiado para experimentação de tecnologias de controle (assimetria de poder e ausência de soberania informacional/decisória).

Entre as alternativas, apenas a Alternativa 3 reproduz corretamente esse triplo enquadramento (fornecer dados e matérias-primas, consumir tecnologias e servir de campo de experimentação), além de indicar a falta de soberania decisória coerente com a ideia de dependência tecnopolítica naturalizada pelo discurso de “inovação” e “disrupção”.

Alternativa correta: (3).

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