Descreva, de forma detalhada e em sequência lógica, a conduta adequada no atendimento de um paciente com OVACE que evolui para perda da consciência em ambiente domiciliar.
Questão
Descreva, de forma detalhada e em sequência lógica, a conduta adequada no atendimento de um paciente com OVACE que evolui para perda da consciência em ambiente domiciliar.
Resposta
92%Conduta no OVACE (obstrução de vias aéreas por corpo estranho) que evolui para perda de consciência em domicílio — sequência lógica e detalhada
- Reconhecer rapidamente o quadro e garantir segurança da cena
- Observe se o ambiente é seguro (gás, fogo, fios, risco de queda etc.).
- Identifique sinais de OVACE: incapacidade de falar/tossir, cianose, mãos ao pescoço, respiração ruidosa/ausente.
- Acionar ajuda imediatamente (SAMU 192 / Bombeiros 193) e pedir apoio a outra pessoa
- Se houver outra pessoa, peça para ligar imediatamente e retornar para informar o que foi orientado.
- Se estiver sozinho e o paciente adulto colapsa, em geral você aciona o serviço de emergência assim que possível (idealmente em viva‑voz) e inicia as manobras sem demora.
- Informe: “engasgo/OVACE com perda de consciência”, idade aproximada, endereço completo, ponto de referência e telefone.
- Confirmar inconsciência e avaliar responsividade
- Chame a pessoa em voz alta e toque nos ombros: “Você está bem?”.
- Se não responde, considerar perda de consciência.
- Posicionar o paciente no chão e solicitar/pegar um DEA se houver disponível
- Deite em decúbito dorsal sobre superfície rígida.
- Se houver DEA (desfibrilador externo automático) no condomínio/edifício/vizinhança, peça para alguém buscar.
- Abrir a via aérea e avaliar respiração rapidamente (até 10 s)
- Faça abertura de via aérea (inclinação da cabeça e elevação do queixo). Se houver suspeita de trauma, preferir elevação do ângulo da mandíbula, mas em domicílio o mais comum é sem trauma.
- Verifique se há respiração normal (não confundir gasping/respiração agônica com respiração eficaz).
- No OVACE com colapso, frequentemente não há respiração efetiva.
- Iniciar RCP imediatamente (compressões) — tratar como PCR até prova em contrário
- Compressões torácicas no centro do tórax:
- Frequência: 100–120/min.
- Profundidade: 5–6 cm (adulto).
- Permitir recoilo completo do tórax.
- Minimizar interrupções.
- Por que compressões primeiro? Em OVACE inconsciente, as compressões ajudam a gerar fluxo e podem deslocar o corpo estranho.
- Ventilações: somente após inspeção da boca e tentativa de ventilação
- Após 30 compressões, abra a boca e procure corpo estranho visível.
- Remova apenas se estiver visível e fácil (ex.: pinça digital/“gancho” cuidadoso).
- Não fazer varredura às cegas (pode empurrar o objeto para mais fundo e piorar a obstrução).
- Tente 2 ventilações (boca‑a‑boca ou com barreira, se disponível):
- Se o tórax não elevar, presume-se via aérea ainda obstruída.
- Ciclo contínuo 30:2 com reavaliação do corpo estranho a cada ciclo
- Continue 30 compressões + abertura de via aérea + olhar a boca + retirar objeto visível + 2 ventilações.
- A cada ciclo, se em algum momento o objeto aparecer na cavidade oral, retire-o e volte a ventilar.
- Se houver DEA, utilizar assim que chegar (sem atrasar compressões)
- Ligue o DEA, exponha o tórax, coloque as pás conforme desenho.
- Siga as instruções: durante a análise, ninguém toca no paciente.
- Se indicar choque, aplique e retome compressões imediatamente.
- Mesmo sendo OVACE, o DEA é útil porque o paciente pode evoluir para ritmos chocáveis; além disso, ele organiza o atendimento.
- Quando parar a RCP/manobras (critérios práticos em domicílio)
- Você continua até:
- Chegada do serviço de emergência e transferência do cuidado; ou
- O paciente recuperar sinais de vida (movimento, respiração normal, tosse eficaz); ou
- Exaustão física sem possibilidade de revezamento; ou
- Cena se tornar insegura.
- Se o corpo estranho for expelido e o paciente voltar a respirar
- Coloque em posição lateral de segurança se permanecer inconsciente, porém respirando normalmente.
- Monitore respiração continuamente até a chegada do socorro.
- Mesmo com melhora, o paciente deve ser avaliado, pois pode haver lesão de via aérea/aspiração residual.
- Observações importantes (erros comuns a evitar)
- Em paciente inconsciente, não se faz Heimlich em pé; a conduta passa a ser RCP com inspeção oral.
- Não oferecer água/alimentos.
- Não “varrer” a boca às cegas.
- Evitar atrasar compressões por tentativas repetidas e longas de ventilação quando o tórax não expande.
- Adaptações rápidas por faixa etária (se aplicável)
- Lactentes (<1 ano): compressões com 2 dedos (ou técnica dos dois polegares com dois socorristas) e ciclos de RCP apropriados; a lógica permanece: compressões, olhar boca, remover só o visível e tentar ventilar.
- Crianças: compressões com uma ou duas mãos conforme tamanho; mesmas prioridades.
Alternativa correta: (sem alternativas).
Explicação
O cenário descrito é um OVACE que evoluiu para inconsciência, portanto a prioridade deixa de ser a sequência de manobras em paciente consciente (tapas nas costas/Heimlich) e passa a ser suporte básico de vida com foco em: (1) acionar emergência, (2) iniciar RCP com compressões eficazes, (3) tentar ventilar após abertura de via aérea, e (4) remover apenas corpo estranho visível, repetindo ciclos. A lógica clínica é que, em inconsciência, o paciente pode estar em parada cardiorrespiratória ou prestes a entrar nela; as compressões mantêm perfusão mínima e podem mobilizar o corpo estranho. As ventilações só se tornam efetivas quando a via aérea estiver desobstruída; por isso, após cada ciclo, faz-se inspeção e remoção apenas do que está visível, evitando varredura às cegas que pode agravar a obstrução.
Alternativa correta: (sem alternativas).