Descreva, de forma detalhada e em sequência lógica, a conduta adequada no atendimento de um paciente com OVACE que evolui para perda da consciência em ambiente domiciliar.
Questão
Descreva, de forma detalhada e em sequência lógica, a conduta adequada no atendimento de um paciente com OVACE que evolui para perda da consciência em ambiente domiciliar.
Resposta
Conduta no OVACE (obstrução de vias aéreas por corpo estranho) que evolui para perda de consciência em domicílio — sequência lógica e detalhada
- Reconhecer rapidamente o quadro e garantir segurança da cena
- Observe se o ambiente é seguro (gás, fogo, fios, risco de queda etc.).
- Identifique sinais de OVACE: incapacidade de falar/tossir, cianose, mãos ao pescoço, respiração ruidosa/ausente.
- Acionar ajuda imediatamente (SAMU 192 / Bombeiros 193) e pedir apoio a outra pessoa
- Se houver outra pessoa, peça para ligar imediatamente e retornar para informar o que foi orientado.
- Se estiver sozinho e o paciente adulto colapsa, em geral você aciona o serviço de emergência assim que possível (idealmente em viva‑voz) e inicia as manobras sem demora.
- Informe: “engasgo/OVACE com perda de consciência”, idade aproximada, endereço completo, ponto de referência e telefone.
- Confirmar inconsciência e avaliar responsividade
- Chame a pessoa em voz alta e toque nos ombros: “Você está bem?”.
- Se não responde, considerar perda de consciência.
- Posicionar o paciente no chão e solicitar/pegar um DEA se houver disponível
- Deite em decúbito dorsal sobre superfície rígida.
- Se houver DEA (desfibrilador externo automático) no condomínio/edifício/vizinhança, peça para alguém buscar.
- Abrir a via aérea e avaliar respiração rapidamente (até 10 s)
- Faça abertura de via aérea (inclinação da cabeça e elevação do queixo). Se houver suspeita de trauma, preferir elevação do ângulo da mandíbula, mas em domicílio o mais comum é sem trauma.
- Verifique se há respiração normal (não confundir gasping/respiração agônica com respiração eficaz).
- No OVACE com colapso, frequentemente não há respiração efetiva.
- Iniciar RCP imediatamente (compressões) — tratar como PCR até prova em contrário
- Compressões torácicas no centro do tórax:
- Frequência: 100–120/min.
- Profundidade: 5–6 cm (adulto).
- Permitir recoilo completo do tórax.
- Minimizar interrupções.
- Por que compressões primeiro? Em OVACE inconsciente, as compressões ajudam a gerar fluxo e podem deslocar o corpo estranho.
- Ventilações: somente após inspeção da boca e tentativa de ventilação
- Após 30 compressões, abra a boca e procure corpo estranho visível.
- Remova apenas se estiver visível e fácil (ex.: pinça digital/“gancho” cuidadoso).
- Não fazer varredura às cegas (pode empurrar o objeto para mais fundo e piorar a obstrução).
- Tente 2 ventilações (boca‑a‑boca ou com barreira, se disponível):
- Se o tórax não elevar, presume-se via aérea ainda obstruída.
- Ciclo contínuo 30:2 com reavaliação do corpo estranho a cada ciclo
- Continue 30 compressões + abertura de via aérea + olhar a boca + retirar objeto visível + 2 ventilações.
- A cada ciclo, se em algum momento o objeto aparecer na cavidade oral, retire-o e volte a ventilar.
- Se houver DEA, utilizar assim que chegar (sem atrasar compressões)
- Ligue o DEA, exponha o tórax, coloque as pás conforme desenho.
- Siga as instruções: durante a análise, ninguém toca no paciente.
- Se indicar choque, aplique e retome compressões imediatamente.
- Mesmo sendo OVACE, o DEA é útil porque o paciente pode evoluir para ritmos chocáveis; além disso, ele organiza o atendimento.
- Quando parar a RCP/manobras (critérios práticos em domicílio)
- Você continua até:
- Chegada do serviço de emergência e transferência do cuidado; ou
- O paciente recuperar sinais de vida (movimento, respiração normal, tosse eficaz); ou
- Exaustão física sem possibilidade de revezamento; ou
- Cena se tornar insegura.
- Se o corpo estranho for expelido e o paciente voltar a respirar
- Coloque em posição lateral de segurança se permanecer inconsciente, porém respirando normalmente.
- Monitore respiração continuamente até a chegada do socorro.
- Mesmo com melhora, o paciente deve ser avaliado, pois pode haver lesão de via aérea/aspiração residual.
- Observações importantes (erros comuns a evitar)
- Em paciente inconsciente, não se faz Heimlich em pé; a conduta passa a ser RCP com inspeção oral.
- Não oferecer água/alimentos.
- Não “varrer” a boca às cegas.
- Evitar atrasar compressões por tentativas repetidas e longas de ventilação quando o tórax não expande.
- Adaptações rápidas por faixa etária (se aplicável)
- Lactentes (<1 ano): compressões com 2 dedos (ou técnica dos dois polegares com dois socorristas) e ciclos de RCP apropriados; a lógica permanece: compressões, olhar boca, remover só o visível e tentar ventilar.
- Crianças: compressões com uma ou duas mãos conforme tamanho; mesmas prioridades.
Alternativa correta: (sem alternativas).
Explicação
O cenário descrito é um OVACE que evoluiu para inconsciência, portanto a prioridade deixa de ser a sequência de manobras em paciente consciente (tapas nas costas/Heimlich) e passa a ser suporte básico de vida com foco em: (1) acionar emergência, (2) iniciar RCP com compressões eficazes, (3) tentar ventilar após abertura de via aérea, e (4) remover apenas corpo estranho visível, repetindo ciclos. A lógica clínica é que, em inconsciência, o paciente pode estar em parada cardiorrespiratória ou prestes a entrar nela; as compressões mantêm perfusão mínima e podem mobilizar o corpo estranho. As ventilações só se tornam efetivas quando a via aérea estiver desobstruída; por isso, após cada ciclo, faz-se inspeção e remoção apenas do que está visível, evitando varredura às cegas que pode agravar a obstrução.
Alternativa correta: (sem alternativas).