Com frequência, racismo e sexismo convergem – e a condição das mulheres brancas trabalhadoras não raro é associada à situação opressiva das mulheres de minorias étnicas. Se as mulheres brancas nunca recorreram ao trabalho doméstico, a menos que tivessem certeza de não encontrar algo melhor, as mulheres negras estiveram aprisionadas a essas ocupações até o advento da Segunda Guerra Mundial. DAVIS, Ângela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016. p. 102 (adaptado). Ao contextualizar a relação entre trabalhadoras brancas e negras, o texto evidencia a
Questão
Com frequência, racismo e sexismo convergem – e a condição das mulheres brancas trabalhadoras não raro é associada à situação opressiva das mulheres de minorias étnicas. Se as mulheres brancas nunca recorreram ao trabalho doméstico, a menos que tivessem certeza de não encontrar algo melhor, as mulheres negras estiveram aprisionadas a essas ocupações até o advento da Segunda Guerra Mundial.
DAVIS, Ângela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016. p. 102 (adaptado).
Ao contextualizar a relação entre trabalhadoras brancas e negras, o texto evidencia a
Alternativas
A) persistência de assimetrias estruturais na vivência de gênero e raça.
B) consolidação de direitos civis por meio da profissionalização do trabalho.
C) uniformidade da condição feminina independentemente da origem social.
D) construção de uma identidade nacional baseada na integração das etnias.
E) organização de movimentos feministas para a defesa da igualdade salarial.
Explicação
O trecho compara as experiências de trabalho de mulheres brancas e negras, mostrando que gênero não explica sozinho a opressão: a raça altera estruturalmente as possibilidades e os limites impostos a cada grupo.
- Davis afirma que mulheres brancas só recorriam ao trabalho doméstico em geral quando não encontravam “algo melhor”, indicando alguma margem de escolha (ainda que limitada pela classe).
- Já as mulheres negras teriam ficado “aprisionadas” a essas ocupações por um longo período, isto é, havia uma imposição social e histórica muito mais rígida, marcada pelo racismo e pela hierarquia racial no mercado de trabalho.
- Assim, o texto evidencia que as desigualdades não são apenas individuais ou conjunturais, mas estruturais, produzindo vivências diferentes da condição feminina conforme a combinação de raça e gênero (e também classe).
Logo, a ideia central é a manutenção de desigualdades estruturais na intersecção entre raça e gênero.