Leia o texto a seguir. "Foi da maneira que se segue que todos os poderes do Senado e do povo passaram a Augusto, a partir de que se estabeleceu uma verdadeira Monarquia, pois é válido dar-se a este regime o nome Monarquia, mesmo quando duas ou três pessoas dividem o poder. No entanto, os romanos detestam tanto o nome Monarquia, que se recusam a chamar seus imperadores de ditadores, reis ou qualquer outro nome do gênero. Contudo, como toda a administração do Estado está em suas mãos, não se pode deixar de considerá-los reis." Dion Cássio, LIII, 17. In: Jaime Pinsky (Org.). 100 Textos de História Antiga. 5. ed. São Paulo: Contexto, 1991. A sagração de Otávio com o título de Augusto consolidou um processo que ocorria desde o surgimento do principado. Com relação a esse processo, assinale a alternativa correta.
Questão
Leia o texto a seguir.
"Foi da maneira que se segue que todos os poderes do Senado e do povo passaram a Augusto, a partir de que se estabeleceu uma verdadeira Monarquia, pois é válido dar-se a este regime o nome Monarquia, mesmo quando duas ou três pessoas dividem o poder. No entanto, os romanos detestam tanto o nome Monarquia, que se recusam a chamar seus imperadores de ditadores, reis ou qualquer outro nome do gênero. Contudo, como toda a administração do Estado está em suas mãos, não se pode deixar de considerá-los reis."
Dion Cássio, LIII, 17. In: Jaime Pinsky (Org.). 100 Textos de História Antiga. 5. ed. São Paulo: Contexto, 1991.
A sagração de Otávio com o título de Augusto consolidou um processo que ocorria desde o surgimento do principado. Com relação a esse processo, assinale a alternativa correta.
Alternativas
O estabelecimento de uma aliança entre Otávio e o Senado tinha o objetivo de impedir quaisquer tentativas de golpes que pudessem instalar uma ditadura em Roma.
A concentração de poderes nas mãos de Otávio possibilitou a superação da crise política da República, eliminando a instabilidade que marcara os dois séculos anteriores.
O Senado conseguiu neutralizar a tentativa de Otávio Augusto de sagrar-se rei, assassinando-o, como fizeram com seu tio Júlio César.
A concentração de poderes foi a forma encontrada pelo Estado romano para fazer frente à crise motivada pelas invasões bárbaras.
Embora tenha concentrado em suas mãos todos os poderes, até então nas mãos das várias magistraturas, Otávio Augusto manteve a forma republicana de governo.
Explicação
O texto de Dião Cássio destaca a contradição central do Principado: apesar de o poder efetivo ter se concentrado nas mãos de Augusto (como se fosse uma monarquia), os romanos evitavam o vocabulário monárquico (rei, ditador etc.) e preservavam as aparências institucionais da República.
No processo que se consolida com o título de Augusto (27 a.C.), Otávio acumula prerrogativas e influência sobre as magistraturas e sobre o Senado, mas mantém a “forma” republicana (Senado, assembleias, magistraturas continuaram existindo), agora subordinadas ao seu predomínio pessoal. Essa é a lógica do Principado: monarquia de fato, república de direito/forma.
Analisando as alternativas:
- (A) Incorreta: não se tratou de uma aliança para evitar uma ditadura; o próprio arranjo do Principado concentra poder em um líder, ainda que com linguagem republicana.
- (B) Parcial/enganosa: houve estabilização após as guerras civis, mas a alternativa afirma “eliminando” a instabilidade de “dois séculos anteriores” de forma simplificadora; além disso, o ponto decisivo do processo é a manutenção das formas republicanas sob poder concentrado.
- (C) Incorreta: Augusto não foi assassinado; quem foi assassinado foi Júlio César (44 a.C.).
- (D) Incorreta: não tem relação com invasões bárbaras, fenômeno bem posterior (sobretudo a partir dos séculos IV-V d.C.).
- (E) Correta: descreve exatamente o Principado — concentração de poderes em Augusto com manutenção da fachada republicana.
Portanto, a alternativa correta é a que afirma a concentração de poderes com preservação das formas republicanas.