Ao pensar na questão da contratransferência, Freud retoma a regra da "abstinência". Assinale a alternativa que demonstra corretamente o porquê de Freud resgatar esta regra para o manejo da Contratransferência.

Questão

Ao pensar na questão da contratransferência, Freud retoma a regra da "abstinência". Assinale a alternativa que demonstra corretamente o porquê de Freud resgatar esta regra para o manejo da Contratransferência.

Alternativas

A) Pois compreende a abstinência como uma insistência do analista em não permitir qualquer satisfação ao paciente em contexto clínico.

Resposta certa

B) Pois é nessa regra que Freud alerta sobre o cuidado que o analista (e também o analisando) devem ter exatamente em relação aos seus sentimentos e envolvimento na relação com o paciente e “ir mais além”.

C) Pois compreende que o analista sempre irá incorrer necessitar burlar a relação terapêutica e, portanto, deve se abster.

D) Pois Freud compreende que deve existir uma neutralidade absoluta do analista frente ao paciente.

E) Pois é nesta regra que Freud percebe que se o analista não se abster de seus conteúdos as sessões nunca irão avançar.

Explicação

Para Freud, a contratransferência diz respeito às reações afetivas do analista diante do paciente, reações que podem interferir no tratamento se forem atuadas (por exemplo, quando o analista “vai além”, envolve-se emocionalmente, aconselha, satisfaz demandas, busca gratificações etc.).

É nesse ponto que ele retoma a regra técnica da abstinência: a ideia central não é “punir” o paciente nem negar toda e qualquer satisfação de modo rígido, mas evitar que a relação analítica vire um campo de gratificação direta (para o paciente e/ou para o analista). A abstinência funciona como orientação ética e técnica para que o analista não atue seus sentimentos, mantendo condições para o trabalho com a transferência e para a escuta.

Analisando as alternativas:

  • A) Errada: reduz abstinência a “não permitir qualquer satisfação”, como se fosse uma postura de recusa total e indiscriminada. A abstinência não é um “bloqueio geral” de toda satisfação; ela visa evitar gratificações que atrapalhem o processo analítico.
  • B) Correta: conecta a abstinência ao cuidado com sentimentos/envolvimento na relação e ao risco de “ir mais além” (isto é, atuar na relação), que é justamente o problema técnico quando se fala em contratransferência.
  • C) Errada: não faz sentido dizer que o analista “sempre” precisará burlar a relação terapêutica.
  • D) Errada: Freud não sustenta uma “neutralidade absoluta” no sentido impossível de ausência completa de afetos; o foco é não atuar e manter a posição analítica.
  • E) Parcial e imprecisa: embora atuar conteúdos do analista possa atrapalhar, a justificativa de Freud ao retomar abstinência não é simplesmente “senão a sessão não avança”, mas o manejo técnico da transferência/contratransferência e a não gratificação/atuação.
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