Atenção Primária a Saúde: Na história citada acima, você, sendo uma enfermeira responsável pela UBS, agendaria uma visita familiar a esta família? Com base no relato apresentado, construa uma lista dos fatores de risco de adoecimento e complicações que serão alvo das ações de prevenção à saúde destas pessoas.
Na história citada acima, você, sendo uma enfermeira responsável pela UBS, agendaria uma visita familiar a esta família? Com base no relato apresentado, construa uma lista dos fatores de risco de adoecimento e complicações que serão alvo das ações de prevenção à saúde destas pessoas.
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REGISTRO DE CASO
Nesta semana, cadastrei uma família recém-chegada na comunidade. São quatro pessoas: uma mulher (M.S., 42 anos), um adolescente (W.S., 17 anos), uma criança (K.S., 8 anos) e um idoso (J.S., 68 anos). Realizei o cadastro com o senhor J.S., pois a M.S. trabalha em dois empregos e retorna à casa somente em noites alternadas.
O adolescente também não estava no momento da visita, pois estuda em turno integral. O senhor J.S. é responsável por cuidar do neto mais novo, inclusive levar e buscar K.S. na escola pela manhã. Relata que eles são muito companheiros, pois a filha e o neto mais velho não permanecem muito tempo em casa. Sobre os problemas de saúde, informou que a filha e ambos os netos não têm doenças, mas ele tem pressão alta. Não toma os remédios todos os dias, somente quando sente que a pressão subiu. É tabagista desde os 16 anos. Durante o tempo que estive na casa, observei que o senhor J.S. fuma bastante e que as condições de higiene do ambiente não eram muito boas.
Sim. Eu agendaria visita familiar (e seguimento) por se tratar de família recém-chegada, com idoso hipertenso com baixa adesão ao tratamento, tabagismo ativo com risco para si e para os demais, sinais de vulnerabilidade social/organizacional (cuidador idoso, mãe ausente por dupla jornada), e condições de higiene ambiental inadequadas, o que aumenta risco de adoecimento e complicações.
1) Eu agendaria visita familiar? Sim. O relato traz múltiplos fatores de risco (clínicos, comportamentais, ambientais e organizacionais) que justificam visita familiar programada e acompanhamento pela equipe (enfermagem/ESF/ACS), tanto para prevenção quanto para redução de riscos e complicações.
2) Lista de fatores de risco (alvos das ações de prevenção e promoção da saúde)
A) Fatores de risco clínicos (idoso J.S., 68 anos)
- Idade avançada (idoso): maior vulnerabilidade a agravos, quedas, complicações cardiovasculares e respiratórias.
- Hipertensão arterial (HAS): condição crônica com risco de AVC, infarto, insuficiência renal e outras complicações.
- Baixa adesão ao tratamento anti-hipertensivo: toma medicação “apenas quando sente que a pressão subiu”, o que aumenta risco de crises hipertensivas e eventos cardiovasculares.
B) Fatores de risco comportamentais
- Tabagismo desde os 16 anos / tabagismo atual intenso: risco aumentado para DPOC, câncer, doença cardiovascular e piora do controle pressórico.
- Exposição domiciliar ao fumo passivo (criança e adolescente): risco de infecções respiratórias, asma/broncoespasmo, otites, piora de alergias, além de modelagem comportamental para iniciação ao tabagismo.
C) Fatores de risco ambientais e sanitários
- Condições de higiene do domicílio inadequadas (observadas): maior risco de doenças infecciosas/parasitoses, problemas dermatológicos, infestações (vetores), agravos respiratórios e gastrointestinais, especialmente em criança.
- Ambiente domiciliar com fumaça (associado ao tabagismo): piora da qualidade do ar intradomiciliar e maior risco respiratório para todos.
D) Fatores familiares/organizacionais e de vulnerabilidade
- Família recém-chegada na comunidade: risco de descontinuidade de cuidados, desconhecimento da rede/serviços, lacunas vacinais e de acompanhamento.
- Mãe (M.S., 42 anos) com dupla jornada (dois empregos) e presença domiciliar intermitente: risco de sobrecarga, estresse, menor tempo para acompanhamento de saúde, alimentação/rotina e vigilância de sinais de adoecimento dos filhos.
- Idoso como principal cuidador da criança (K.S., 8 anos): potencial sobrecarga do cuidador, risco de falhas no autocuidado do idoso (ex.: medicação, acompanhamento) e risco aumentado de eventos (ex.: mal-estar/queda) enquanto está sozinho com a criança.
- Adolescente (W.S., 17 anos) pouco tempo em casa: possível fragilidade de supervisão/apoio familiar e menor oportunidade de ações preventivas (saúde do adolescente, saúde mental, sexualidade, prevenção de álcool/drogas, violências), a serem melhor avaliadas.
E) Riscos a investigar ativamente na visita (não informados, mas prováveis pela situação)
- Situação vacinal e acompanhamento de rotina (criança e adolescente): risco de atraso vacinal e perda de acompanhamento de crescimento/desenvolvimento.
- Riscos cardiovasculares adicionais no idoso (alimentação, sedentarismo, álcool, sintomas de lesão de órgãos-alvo): necessários para estratificação de risco e plano de cuidado.
- Condições de saúde mental/estresse familiar (sobrecarga, exaustão, ansiedade/depressão): especialmente pela dinâmica familiar e trabalho.
Síntese do foco preventivo: controle adequado da HAS e adesão medicamentosa; cessação do tabagismo e proteção contra fumo passivo; melhoria das condições de higiene/ambiente; fortalecimento do cuidado do idoso-cuidador; organização do acompanhamento da criança/adolescente (vacinas, rotina, prevenção).