Sobre afogamentos, assinale a alternativa INCORRETA:
Questão
Sobre afogamentos, assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
A) No afogamento em água salgada, ocorre passagem de plasma para a luz alveolar, levando à hipoxemia.
B) Para pacientes socorridos que não apresentem ventilações e nem pulso, deve-se primeiramente iniciar o atendimento com a abertura das vias aéreas, seguido de 5 ventilações (boca a boca ou com dispositivo de ventilação) antes das compressões torácicas.
C) No Brasil, é a primeira causa de morte em crianças de 5 a 9 anos de idade.
D) Nos pacientes resgatados de afogamentos graves que são intubados, a complicação mais precoce é a SARA (Síndrome da angústia respiratória aguda), que deve ser tratada com volumes correntes de 10-12ml/Kg de peso, FiO2 maior que 60% e uso de bloqueadores neuromusculares nas primeiras 48 horas.
E) No afogamento em água doce, o principal mecanismo de hipoxemia é a passagem de líquido para o intravascular, levando ao colapso alveolar.
Explicação
Para identificar a alternativa INCORRETA, avalio cada afirmação à luz da fisiopatologia do afogamento e das condutas atuais em suporte ventilatório:
A) Em água salgada (meio hipertônico), há tendência de deslocamento de líquido do compartimento intravascular para o interior dos alvéolos, piorando o edema alveolar e a troca gasosa, resultando em hipoxemia. A ideia central está correta.
B) Em parada cardiorrespiratória por afogamento (causa primariamente asfixia/hipóxia), a prioridade inicial é ventilar: abrir vias aéreas e realizar ventilações iniciais antes de iniciar compressões, conforme a lógica de “primeiro oxigenar” nesses casos. A afirmativa (5 ventilações iniciais antes das compressões) é compatível com a abordagem de PCR por asfixia em muitos protocolos de salvamento/afogamento.
C) Afogamento é uma causa muito relevante de mortalidade pediátrica e figura entre as principais causas em várias faixas etárias; a afirmação de ser a primeira causa em 5–9 anos é plausível dentro do contexto epidemiológico frequentemente cobrado em provas no Brasil (não é o ponto mais “fisiopatológico/terapêutico” do item).
D) Aqui está o problema: embora a SARA/lesão pulmonar aguda possa ocorrer precocemente após afogamento grave, o tratamento ventilatório descrito está errado. Na SARA recomenda-se ventilação protetora com baixo volume corrente (tipicamente cerca de de peso predito, não 10–12 mL/kg), ajuste de PEEP e estratégia para reduzir volutrauma/barotrauma. Além disso, FiO2 deve ser titulada para manter oxigenação adequada, evitando hiperóxia prolongada quando possível; e bloqueadores neuromusculares não são “obrigatórios por 48h” de rotina, sendo reservados a casos selecionados (ex.: assincronia importante, hipoxemia grave, estratégias específicas). Portanto, a alternativa traz conduta ventilatória não condizente com manejo atual de SARA.
E) Em água doce (meio hipotônico), há tendência teórica de absorção de líquido para o intravascular; porém, independentemente do tipo de água, o principal determinante clínico é a lesão do surfactante, atelectasia/colapso alveolar, shunt intrapulmonar e edema, culminando em hipoxemia. A alternativa relaciona passagem de líquido e colapso alveolar, mantendo coerência com o mecanismo de hipoxemia ligado à atelectasia e shunt.
Assim, a alternativa claramente incorreta (especialmente pelo tratamento ventilatório proposto para SARA) é a D.
Alternativa correta: (D).