Sobre a filosofia da linguagem, assinale a alternativa falsa.
Questão
Sobre a filosofia da linguagem, assinale a alternativa falsa.
Alternativas
a) A linguagem ideal não articula matemática e ontologia intramundana, em que os objetos dão significado aos nomes, enquanto o papel dos sujeitos não se reduz a consensuar nomes e a catalogar novos fatos.
b) O primeiro Wittgenstein é menos radical. Para ele, a fenomenologia da religião é silêncio sobre o divino. Ela não é o seu fundamento. O Sagrado tem um sentido místico e inefável que não é expressável linguisticamente.
c) De acordo com Estrada (2003, p. 156), Wittgenstein abre-se à possibilidade do teísmo, no âmbito do místico que é inexplicável, rechaçando sua explicitação linguística e toda a tentativa de demonstração ou de fundamentação. Russell não fica nesta posição antimetafísica, mas contesta abertamente o teísmo.
d) O segundo Wittgenstein, "místico", rejeita duas teses centrais do primeiro Wittgenstein, "empirista". A primeira é "a tese de acordo com a qual a linguagem consiste essencialmente na fiel transcrição dos objetos de que se está falando". E a segunda tese afirma ser apenas a linguagem científica detentora dessa qualidade, "[...] e que, consequentemente, apenas ela possui significado descritivo" (ESTRADA, 2003, p. 158-160). Nessa segunda fase de seu pensamento, é valorizada a pluralidade linguística, medida pela gramática e pela lógica da linguagem para interpretar a complexidade da realidade.
e) É o uso que determina o significado que damos à linguagem e aos conceitos. Por isso, é necessário contextualizar a linguagem para interpretá-la, ou seja, são necessárias hermenêuticas da multiplicidade linguística, pois ela é um fenômeno complexo semelhante aos instrumentos que um operário usa para o trabalho: como não há um uso fixo e específico para cada palavra, assim também não há um uso fixo e específico para cada instrumento.
Explicação
Para identificar a alternativa falsa, basta confrontar cada enunciado com teses bem conhecidas do debate (especialmente em torno do primeiro e do segundo Wittgenstein).
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(b) condiz com o primeiro Wittgenstein (Tractatus): há coisas (ética, religião, o “místico”) que não podem ser ditas significativamente na linguagem descritiva; sobre elas, “deve-se calar”. Assim, a ideia de inefabilidade do sagrado é compatível com essa leitura.
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(c) também é compatível: é comum na bibliografia caracterizar Wittgenstein como abrindo espaço ao “místico” sem aceitar provas/demonstrações metafísicas; e Russell, por sua vez, assume postura mais direta e crítica em relação ao teísmo.
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(d) está alinhada ao segundo Wittgenstein (Investigações Filosóficas): rejeição do modelo “imagem”/representacional rígido e crítica à ideia de que apenas a linguagem científica teria significado descritivo; na fase tardia, enfatizam-se jogos de linguagem, gramática e pluralidade de usos.
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(e) expressa um núcleo do segundo Wittgenstein: “o significado é o uso” e a compreensão depende de contexto/práticas; a analogia das palavras com ferramentas (instrumentos) é um exemplo clássico do seu estilo argumentativo.
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(a) é a falsa porque contraria justamente a concepção associada ao projeto de “linguagem ideal”/teorias de referência que, em linhas gerais, tendem a ligar significado a uma estrutura lógico-ontológica (com nomes referindo a objetos, fatos atômicos etc.). O enunciado nega essa articulação (“A linguagem ideal não articula...”) e ainda adiciona uma formulação confusa sobre o papel dos sujeitos, destoando do que normalmente se entende por “linguagem ideal” nesse contexto (mais próxima de uma linguagem logicamente purificada e com semântica referencial/representacional, e não dessa negação).
Alternativa correta: (a).