Na Crítica da Razão Pura Kant escreve: “Todo interesse de minha razão (tanto o especulativo quanto o prático) concentra‑se nas três seguintes questões: ‘Que posso saber?’ ‘Que devo fazer?’ ‘Que é permitido esperar?’” A primeira pergunta é puramente especulativa. Esgotamos todas as respostas possíveis a mesma, e finalmente encontramos aquela com a qual a razão tem, é certo, que se satisfazer; e, quando não tem em mira o prático, com a qual tem motivo para estar satisfeita. Mas dos dois grandes fins aos quais a razão pura é dirigida propriamente, todos estes seus esforços ficam tão afastados como se, por comodidade, desde o início nos tivéssemos recusado a este labor. Portanto, quando se trata do saber, pelo menos o seguinte ficou certo e decidido: com respeito àquelas duas questões jamais poderemos saber algo. A segunda parte é puramente prática. Embora enquanto tal possa pertencer à razão pura, mesmo assim não é transcendental, mas sim moral; em si mesma, portanto, não pode ocupar a nossa crítica. Com relação à terceira questão é falso afirmar:
Questão
Na Crítica da Razão Pura Kant escreve: “Todo interesse de minha razão (tanto o especulativo quanto o prático) concentra‑se nas três seguintes questões: ‘Que posso saber?’ ‘Que devo fazer?’ ‘Que é permitido esperar?’” A primeira pergunta é puramente especulativa. Esgotamos todas as respostas possíveis a mesma, e finalmente encontramos aquela com a qual a razão tem, é certo, que se satisfazer; e, quando não tem em mira o prático, com a qual tem motivo para estar satisfeita. Mas dos dois grandes fins aos quais a razão pura é dirigida propriamente, todos estes seus esforços ficam tão afastados como se, por comodidade, desde o início nos tivéssemos recusado a este labor. Portanto, quando se trata do saber, pelo menos o seguinte ficou certo e decidido: com respeito àquelas duas questões jamais poderemos saber algo. A segunda parte é puramente prática. Embora enquanto tal possa pertencer à razão pura, mesmo assim não é transcendental, mas sim moral; em si mesma, portanto, não pode ocupar a nossa crítica. Com relação à terceira questão é falso afirmar:
Alternativas
a) A terceira pergunta — a saber, quando faço o que devo, que me é então permitido esperar? — é concomitantemente prática e teórica, e de um modo tal que o prático serve unicamente como fio condutor para se responder à questão teórica e, no caso desta elevar‑se, à questão especulativa.
b) Pois toda a esperança está voltada para a felicidade; visando o prático e a lei moral, ela é exatamente a mesma coisa que saber, e a lei da natureza são com respeito ao conhecimento teórico das coisas.
c) Os antigos serviram‑se de verdades que lhes haviam sido deixadas e o fizeram como meios para alcançar novas verdades. Assim, também devemos tomar as verdades que nos foram deixadas e fazer delas meios e não o objetivo dos nossos estudos, para dessa forma tentar ultrapassá‑los, imitando‑os.
d) A felicidade consiste na satisfação de todas as nossas inclinações (tanto extensiva, no que se refere à sua multiplicidade, quanto intensiva, no que atinge ao seu grau, e também protensiva, com respeito a sua duração). Denomino pragmática (regra de prudência) a lei prática derivada da motivação da felicidade; por outro lado, intitulo moral (lei da moralidade) aquela lei que nada mais possui como motivação do que o merecimento de ser feliz.
e) Todas são verdadeiras.
Explicação
A questão pergunta: “Com relação à terceira questão (‘Que me é permitido esperar?’) é falso afirmar:”.
Em Kant, a terceira pergunta (“Que me é permitido esperar?”) está ligada à relação entre moralidade (razão prática) e felicidade, culminando na ideia de sumo bem (a união entre virtude e felicidade). Por isso, ela tem um aspecto prático (porque depende do que devo fazer, isto é, da lei moral) e também um aspecto teórico (porque remete a condições como Deus e imortalidade como postulados da razão prática), o que torna plausível a formulação de que o prático conduz a questão teórica (alternativa a).
A alternativa b também permanece no eixo kantiano ao conectar “esperança” à felicidade e ao fato de que, no âmbito prático, ela se orienta pela lei moral (não é uma tese estranha ao contexto do trecho).
A alternativa d é praticamente uma formulação conceitual típica de Kant: distingue regras pragmáticas de prudência (orientadas à felicidade) e lei moral (fundada em outro tipo de motivação/valor), permanecendo no campo da filosofia moral.
Já a alternativa c fala sobre “os antigos”, uso de verdades herdadas para ultrapassar os predecessores etc. Esse conteúdo é alheio ao problema kantiano da terceira pergunta (esperança, moralidade, felicidade, postulados práticos). Ou seja, não é uma afirmação pertinente à terceira questão em Kant e, no contexto pedido, é a que deve ser tomada como falsa.
Logo, a alternativa incorreta (falsa) é a c.
Alternativa correta: (c).