Mulher de 40 anos procura a UPA com queixa de dor abdominal de início súbito, há cerca de 50 minutos, localizada em flanco direito, intensa, sem posição de alívio, irradiando para a região inguinal ipsilateral. Apresenta náuseas e vômitos, mas nega febre. Ao exame físico, encontra-se inquieta, sudoreica, com abdome plano, flácido, doloroso à palpação profunda em flanco e fossa ilíaca à direita, sem sinais de irritação peritoneal. Murphy negativo. Sinais vitais estáveis. Diante do quadro clínico apresentado, assinale a alternativa CORRETA quanto ao diagnóstico mais provável e à conduta inicial:
Questão
Mulher de 40 anos procura a UPA com queixa de dor abdominal de início súbito, há cerca de 50 minutos, localizada em flanco direito, intensa, sem posição de alívio, irradiando para a região inguinal ipsilateral. Apresenta náuseas e vômitos, mas nega febre. Ao exame físico, encontra-se inquieta, sudoreica, com abdome plano, flácido, doloroso à palpação profunda em flanco e fossa ilíaca à direita, sem sinais de irritação peritoneal. Murphy negativo. Sinais vitais estáveis. Diante do quadro clínico apresentado, assinale a alternativa CORRETA quanto ao diagnóstico mais provável e à conduta inicial:
Alternativas
A) O quadro é compatível com apendicite aguda, devendo-se proceder à antibioticoterapia empírica e avaliação cirúrgica imediata, independentemente de exames de imagem.
B) O diagnóstico mais provável é cólica biliar, sendo indicada ultrassonografia abdominal e analgesia, uma vez que a dor irradiada e os vômitos são típicos desse quadro.
C) Trata-se possivelmente de cólica nefrética, cuja conduta inicial inclui analgesia adequada, hidratação e investigação com tomografia de abdome sem contraste, na ausência de sinais de complicação.
D) O quadro sugere abdome agudo inflamatório, sendo mandatória laparotomia exploradora diante da intensidade da dor e da irradiação para região inguinal.
E) A hipótese principal é de pielonefrite aguda complicada, estando indicada antibioticoterapia venosa ainda nos primeiros 60 minutos do atendimento.
Explicação
- Análise do quadro clínico
- Dor abdominal de início súbito, há ~50 minutos, em flanco direito, muito intensa, “sem posição de alívio”, com irradiação para região inguinal ipsilateral.
- Associada a náuseas e vômitos.
- Afebril, sinais vitais estáveis.
- Exame abdominal: abdome flácido, dor à palpação profunda em flanco e FID, sem sinais de irritação peritoneal; Murphy negativo.
- Diagnóstico mais provável Esse conjunto (dor em flanco com irradiação para a virilha/inguinal, início súbito, grande intensidade, paciente inquieta/sudoreica, sem peritonismo e sem febre) é clássico de cólica nefrética por litíase ureteral.
- Apendicite: costuma evoluir com dor progressiva, frequentemente migratória (periumbilical → FID), pode ter febre e sinais de irritação peritoneal conforme evolução; a irradiação típica para virilha é mais sugestiva de ureterolitíase.
- Cólica biliar: dor em hipocôndrio direito/epigástrio, podendo irradiar para dorso/escápula direita; Murphy pode ser doloroso em colecistite, e a irradiação para região inguinal não é típica.
- Pielonefrite: geralmente cursa com febre, calafrios, dor lombar e sintomas urinários; não é o caso.
- Abdome agudo inflamatório com laparotomia imediata: não há instabilidade hemodinâmica nem sinais de peritonite.
- Conduta inicial mais adequada Na suspeita de cólica nefrética não complicada, a conduta inicial inclui:
- Analgesia adequada (preferencialmente AINE; opioide se necessário).
- Hidratação conforme necessidade clínica (sem “forçar” volume de rotina, mas manter euvolemia/controle de vômitos).
- Investigação por imagem: a tomografia de abdome/pelve sem contraste (TC helicoidal) é o exame de maior acurácia para litíase ureteral e avaliação de complicações, especialmente em adultos e na ausência de gestação.
Assim, a alternativa que melhor combina diagnóstico provável e conduta inicial é a que indica cólica nefrética com analgesia/hidratação e TC sem contraste. Alternativa correta: C.