A resistência de um aquecedor usado para ferver água é um fio com condutividade térmica k, diâmetro D e comprimento L. A variação de k com a temperatura é desprezível. Obtenha a equação diferencial que descreve a variação de temperatura no fio durante uma operação em regime permanente. Fazer as hipóteses que achar necessárias, deixando-as claras no texto. Considerações: unidimensional, regime permanente e k é constante.
Questão
A resistência de um aquecedor usado para ferver água é um fio com condutividade térmica k, diâmetro D e comprimento L. A variação de k com a temperatura é desprezível. Obtenha a equação diferencial que descreve a variação de temperatura no fio durante uma operação em regime permanente. Fazer as hipóteses que achar necessárias, deixando-as claras no texto. Considerações: unidimensional, regime permanente e k é constante.
Resposta
92%Sob as hipóteses dadas (1D, regime permanente e constante), a equação diferencial (forma geral) que governa a temperatura ao longo do fio é [ \frac{d}{dx}\left(kA,\frac{dT}{dx}\right)+\dot q'''A- hP,(T-T_\infty)=0, ] que, para e constantes, pode ser escrita como [ \frac{d^2T}{dx^2}+\frac{\dot q'''}{k}-\frac{hP}{kA}(T-T_\infty)=0. ] (Se não houver convecção lateral, basta tomar e fica .)
Explicação
Vamos modelar o fio (resistência) como uma aleta com geração interna de calor.
1) Hipóteses (explicitadas)
- Unidimensional: a temperatura varia apenas ao longo do eixo do fio, (0 a ), isto é, .
- Regime permanente: .
- Propriedades constantes: condutividade térmica constante (dado). Vou assumir também área da seção transversal constante (pois o diâmetro é constante).
- Geração volumétrica uniforme (W/m³) no fio devido ao efeito Joule (hipótese típica; se a corrente e a resistividade forem uniformes, a geração por volume pode ser tratada como aproximadamente uniforme).
- Troca de calor do fio para a água (ou meio externo) por convecção na superfície lateral com coeficiente e temperatura do fluido .
- Radiação desprezada (poderia ser incluída como um termo adicional, mas não foi solicitada).
Geometria:
- Para um fio cilíndrico:
- (área da seção)
- (perímetro molhado para convecção)
2) Balanço de energia em um elemento diferencial
Em regime permanente:
(Condução que entra) − (Condução que sai) + (Geração no volume) − (Perda por convecção na superfície) = 0
A forma diferencial clássica (1D) fica: [ \frac{d}{dx}\left(kA,\frac{dT}{dx}\right) + \dot q'''A - hP,(T-T_\infty)=0. ] Essa é a EDO pedida, já incorporando as hipóteses.
3) Simplificação com e constantes
Como é constante e também (diâmetro constante), então: [ \frac{d}{dx}\left(kA,\frac{dT}{dx}\right)=kA,\frac{d^2T}{dx^2}. ] Substituindo e dividindo por : [ \frac{d^2T}{dx^2}+\frac{\dot q'''}{k}-\frac{hP}{kA}(T-T_\infty)=0. ] Para o cilindro: [ \frac{hP}{kA}=\frac{h,\pi D}{k,(\pi D^2/4)}=\frac{4h}{kD}. ] Logo, também pode ser escrita como: [ \frac{d^2T}{dx^2}+\frac{\dot q'''}{k}-\frac{4h}{kD}(T-T_\infty)=0. ]
4) Observação (caso sem convecção lateral)
Se você assumir que não há perda lateral (por exemplo, fio perfeitamente isolado lateralmente), então e a EDO reduz a: [ \frac{d^2T}{dx^2}=-\frac{\dot q'''}{k}. ]
Essas são as formas diferenciais que descrevem em regime permanente, 1D e com constante.