Um homem adulto procura a unidade de Atenção Primária à Saúde com queixa de dor torácica recorrente, acompanhado por sua esposa. Durante o atendimento, o profissional utiliza uma ferramenta de apoio baseada em inteligência artificial para análise clínica, inserindo dados do histórico de saúde do usuário no sistema. Ao longo da consulta, a acompanhante participa ativamente da interação, enquanto o profissional compartilha informações geradas pela ferramenta durante o diálogo. Progressivamente, o usuário reduz sua participação e limita suas respostas. Considerando os princípios éticos e o uso de tecnologias digitais na prática em saúde, qual conduta deve orientar a atuação do profissional diante da situação apresentada?
Questão
Um homem adulto procura a unidade de Atenção Primária à Saúde com queixa de dor torácica recorrente, acompanhado por sua esposa. Durante o atendimento, o profissional utiliza uma ferramenta de apoio baseada em inteligência artificial para análise clínica, inserindo dados do histórico de saúde do usuário no sistema. Ao longo da consulta, a acompanhante participa ativamente da interação, enquanto o profissional compartilha informações geradas pela ferramenta durante o diálogo. Progressivamente, o usuário reduz sua participação e limita suas respostas. Considerando os princípios éticos e o uso de tecnologias digitais na prática em saúde, qual conduta deve orientar a atuação do profissional diante da situação apresentada?
Alternativas
A) Garantir clareza quanto ao uso do recurso tecnológico, preservação do sigilo de dados e estabelecendo acordo quanto à presença de terceiros na interação.
B) Expor os dados do paciente e os resultados obtidos pelo instrumento computacional à pessoa acompanhante, considerando sua inserção no contexto familiar.
C) Manter a autonomia profissional ao uso da ferramenta, inclusive quando há recusa informada do uso de modelos, sistemas e aplicações de inteligência artificial pelo paciente.
D) Direcionar a abordagem para os achados clínicos e operacionais, empregando a ferramenta como responsável final pelas decisões clínicas.
Explicação
O caso descreve uma consulta em que: (1) há uso de ferramenta de IA com inserção de dados do histórico do paciente (logo, envolve privacidade/segurança e consentimento informado), e (2) a esposa passa a participar ativamente, enquanto o paciente reduz sua participação (sinal de possível constrangimento, perda de autonomia e quebra de confidencialidade na presença de terceiro).
Pelos princípios éticos na prática em saúde e no uso de tecnologias digitais, o profissional deve:
- Explicar de forma clara o que a ferramenta faz, quais dados são inseridos, para qual finalidade, limitações e como será a responsabilidade clínica (IA como apoio, não como decisor final).
- Preservar sigilo e confidencialidade: informações clínicas e resultados gerados (inclusive por IA) só devem ser compartilhados com terceiros se o paciente concordar.
- Pactuar a presença do acompanhante: confirmar explicitamente com o usuário se ele deseja manter a esposa na sala e autoriza que ela participe/tenha acesso às informações; se houver desconforto (sugerido pela redução da participação), o profissional deve reequilibrar a interação, garantindo espaço de fala ao paciente e, se necessário, propor um momento a sós.
Analisando as alternativas:
- A contempla exatamente essas medidas: transparência sobre o uso tecnológico, proteção de dados/sigilo e acordo quanto à presença de terceiros.
- B é inadequada porque supõe que o contexto familiar autoriza exposição de dados, o que fere confidencialidade sem consentimento do paciente.
- C é inadequada porque desconsidera a autonomia do paciente: havendo recusa informada ao uso de IA, deve-se respeitar e oferecer alternativa.
- D é inadequada porque atribui à ferramenta a responsabilidade final por decisões clínicas; a responsabilidade é do profissional, e a IA é suporte.
Alternativa correta: (A).