Uma Médica de Família e Comunidade acompanha José Roberto (5 anos), diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2 de suporte. Durante uma consulta de seguimento, a mãe relata satisfação com a evolução do filho, mas traz uma demanda adicional. Ela solicita uma consulta conjunta para seu marido. Descreve que o esposo apresenta, desde a infância, dificuldades persistentes de interação social, timidez excessiva e episódios de "obsessão" por temas específicos, que ela agora identifica como hiperfoco após estudar o diagnóstico do filho. Ela insiste em participar da consulta, pois acredita que seu marido possui TEA e não conseguirá relatar seus próprios sintomas adequadamente devido ao déficit de comunicação. Considerando os princípios da Abordagem Familiar e do Método Clínico Centrado na Pessoa, qual a orientação mais adequada que a médica deverá adotar?

Questão

Uma Médica de Família e Comunidade acompanha José Roberto (5 anos), diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2 de suporte. Durante uma consulta de seguimento, a mãe relata satisfação com a evolução do filho, mas traz uma demanda adicional. Ela solicita uma consulta conjunta para seu marido. Descreve que o esposo apresenta, desde a infância, dificuldades persistentes de interação social, timidez excessiva e episódios de "obsessão" por temas específicos, que ela agora identifica como hiperfoco após estudar o diagnóstico do filho. Ela insiste em participar da consulta, pois acredita que seu marido possui TEA e não conseguirá relatar seus próprios sintomas adequadamente devido ao déficit de comunicação. Considerando os princípios da Abordagem Familiar e do Método Clínico Centrado na Pessoa, qual a orientação mais adequada que a médica deverá adotar?

Alternativas

A) Realizar Genograma, que permitirá a visualização da transmissão multigeracional de padrões de comportamento e comunicação, auxiliando na compreensão da suspeita clínica do marido e no planejamento de intervenções para o núcleo familiar.

86%

B) A presença da esposa na consulta do marido é obrigatória segundo o Ciclo de Vida Familiar, pois em famílias com crianças com deficiência, a individualidade dos progenitores deve ser secundária à manutenção da homeostase do sistema familiar.

C) O diagnóstico de TEA no filho e a suspeita no pai indicam que o Ecomapa é a ferramenta ideal para diagnosticar a etiologia genética do transtorno, devendo substituir a anamnese individual do marido.

D) Negar a avaliação do esposo, uma vez que o diagnóstico de TEA em adultos não possui protocolos de intervenção na Atenção Primária, devendo o paciente ser encaminhado diretamente ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

Explicação

Pelos princípios da Abordagem Familiar e do Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP), a médica deve:

  1. Reconhecer a demanda da família e acolher a preocupação da esposa, mas sem “tomar” a narrativa do marido como se ele não pudesse ser sujeito da própria consulta. A consulta do pai deve ser com ele, garantindo autonomia, privacidade e construção de vínculo.

  2. Negociar a participação da esposa: a orientação mais alinhada ao MCCP é combinar que o pai seja o foco e que a esposa possa contribuir em parte da consulta (por exemplo, no início para expor a preocupação e/ou ao final para complementar informações), desde que o pai concorde. Isso preserva a centralidade na pessoa e mantém a perspectiva familiar.

  3. No âmbito da Abordagem Familiar, entre as ferramentas clássicas (genograma e ecomapa), a mais adequada para explorar a hipótese de padrões familiares/multigeracionais (inclusive a possibilidade de traços de neurodesenvolvimento em outros membros) e orientar intervenções no núcleo familiar é o genograma. Ele ajuda a compreender a estrutura e dinâmica familiar, padrões de comunicação, alianças, repetições transgeracionais e contexto relacional relevante ao cuidado.

Analisando as alternativas:

  • A está correta: o genograma é coerente com Abordagem Familiar e pode apoiar a compreensão do contexto e planejamento do cuidado.
  • B está incorreta: a presença da esposa não é “obrigatória”; o MCCP prioriza autonomia e confidencialidade do paciente adulto.
  • C está incorreta: ecomapa não diagnostica etiologia genética e não substitui anamnese; ele mapeia redes e apoios sociais.
  • D está incorreta: é possível (e útil) avaliar e acompanhar sofrimento/funcionalidade na APS; não se deve negar avaliação nem encaminhar automaticamente ao CAPS.

Alternativa correta: (A).

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