Uma criança de 4 anos é trazida pela mãe à Unidade Básica de Saúde durante consulta de puericultura de rotina. A mãe refere que a professora da creche notou que a criança frequentemente inclina a cabeça para o lado e se aproxima muito das figuras nos livros. A criança não apresenta queixas oculares espontâneas, não há histórico familiar relatado de doenças oculares e o desenvolvimento neuropsicomotor é adequado para a idade. Ao exame físico, a acuidade visual foi avaliada pela tabela de optotipos de figuras (Tabela de Snellen adaptada para pré-escolares), obtendo-se resultado de 20/100 no olho direito e 20/20 no olho esquerdo. O reflexo vermelho foi presente e simétrico bilateralmente. A conduta mais adequada nesta faixa etária?

Questão

Uma criança de 4 anos é trazida pela mãe à Unidade Básica de Saúde durante consulta de puericultura de rotina. A mãe refere que a professora da creche notou que a criança frequentemente inclina a cabeça para o lado e se aproxima muito das figuras nos livros. A criança não apresenta queixas oculares espontâneas, não há histórico familiar relatado de doenças oculares e o desenvolvimento neuropsicomotor é adequado para a idade. Ao exame físico, a acuidade visual foi avaliada pela tabela de optotipos de figuras (Tabela de Snellen adaptada para pré-escolares), obtendo-se resultado de 20/100 no olho direito e 20/20 no olho esquerdo. O reflexo vermelho foi presente e simétrico bilateralmente. A conduta mais adequada nesta faixa etária?

Alternativas

A) Encaminhar a criança ao oftalmologista de referência para avaliação especializada, pois a diferença de acuidade visual entre os olhos sugere ambliopia ou causa orgânica, condição que requer diagnóstico e tratamento precoce para prevenção de déficit visual permanente.

92%

B) Orientar a mãe sobre a normalidade da acuidade visual nesta faixa etária, reforçar hábitos de higiene ocular e realizar nova avaliação na próxima consulta de puericultura programada em 12 meses.

C) Prescrever oclusão imediata do olho esquerdo por 6 horas diárias durante 3 meses como tratamento empírico de ambliopia, sem necessidade de avaliação oftalmológica prévia, retornando para reavaliação ao final do período.

Explicação

  1. Interpretação do achado de acuidade visual
  • A criança tem 20/100 no olho direito (OD) e 20/20 no olho esquerdo (OE).
  • Isso representa uma diferença importante e anormal entre os olhos (anisometropia funcional/assimetria marcada), com grande suspeita de ambliopia ("olho preguiçoso") ou de alguma causa orgânica de baixa visual unilateral.
  1. Por que isso é relevante aos 4 anos?
  • A faixa etária pré-escolar é período crítico de desenvolvimento visual. Ambliopia tem melhor resposta quanto mais cedo for identificada e tratada.
  • Os sinais relatados (inclinar a cabeça, aproximar-se muito de figuras) sugerem dificuldade visual, possivelmente por erro refracional, estrabismo sutil, etc.
  1. O que o exame já ajuda a excluir e o que ainda falta?
  • Reflexo vermelho presente e simétrico torna menos prováveis opacidades de meios importantes (ex.: catarata significativa, retinoblastoma com leucocoria), mas não exclui erro refracional importante, microestrabismo, anisometropia, cicatrizes retinianas, etc.
  • O diagnóstico etiológico (ex.: necessidade de óculos; tipo e grau de oclusão; outras terapias) exige avaliação oftalmológica completa (refração cicloplégica, motilidade ocular, fundo de olho, alinhamento ocular).
  1. Análise das alternativas
  • A) Correta: diferença grande de AV entre os olhos em pré-escolar é critério de encaminhamento para confirmar causa e iniciar tratamento precoce, prevenindo déficit permanente.
  • B) Incorreta: não é normal uma criança de 4 anos ter 20/100 em um olho e 20/20 no outro e “esperar 12 meses” pode perder janela terapêutica.
  • C) Incorreta: embora a oclusão possa fazer parte do tratamento da ambliopia, não se inicia de forma empírica sem avaliação oftalmológica, pois primeiro é preciso definir a causa (especialmente corrigir refração com óculos quando indicado) e ajustar esquema terapêutico com segurança.

Portanto, a conduta mais adequada é encaminhar ao oftalmologista de referência com prioridade para avaliação e tratamento precoces.

Alternativa correta: (A).

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