A histeria clássica, aquela que se popularizou na época de Freud, foi vista por muitas óticas, entre elas a da própria Psicanálise, que surgiu como um método que possibilita o tratamento dessa neurose. Estudos psiquiátricos e neurológicos também eram muito comuns e muitas vezes resumiam a causa das neuroses ao orgânico, pautando-se somente em evidências fisiológicas para justificar a gênese dessas disfunções. A compreensão de Freud acerca da histeria está correta em qual das alternativas a seguir?
Questão
A histeria clássica, aquela que se popularizou na época de Freud, foi vista por muitas óticas, entre elas a da própria Psicanálise, que surgiu como um método que possibilita o tratamento dessa neurose. Estudos psiquiátricos e neurológicos também eram muito comuns e muitas vezes resumiam a causa das neuroses ao orgânico, pautando-se somente em evidências fisiológicas para justificar a gênese dessas disfunções. A compreensão de Freud acerca da histeria está correta em qual das alternativas a seguir?
Alternativas
A. Para Freud, a histeria era um extrato da psicose que se dava em sintomas de conversão.
B. Para Freud a histeria era um condensado da neurose e da psicose.
C. Para Freud, a histeria não passava de um processo ansioso de suas pacientes, que tenderia a se resolver com o tempo.
D. Para Freud, a histeria era um condensado das estruturas clínicas: neurose, psicose e perversão.
E. Para Freud, a histeria era um tipo de neurose que se constitui a partir de uma relação de insatisfação diante do retorno de fatores inconscientes que não podem ser suportados na realidade psíquica, transformando-se em sintoma.
Explicação
Para Freud, a histeria não é psicose, nem “mistura” de estruturas (isso é uma formulação mais próxima de classificações posteriores, e não do modelo freudiano clássico). Ao contrário, a histeria é pensada como uma neurose, cujo mecanismo central envolve o recalque (repressão) e o retorno do recalcado.
- Histeria = neurose (não psicose)
- Freud situa a histeria no campo das neuroses, diferenciando-a das psicoses. Portanto, alternativas que definem histeria como “extrato da psicose” ou como “condensado” entre neurose e psicose estão incorretas.
- Formação de sintoma e retorno do inconsciente
- Na histeria, conteúdos inconscientes recalcados (afetos/representações incompatíveis) tendem a retornar de modo deformado, produzindo sintomas (muitas vezes corporais, na histeria de conversão), como forma de compromisso.
- Isso se alinha com a ideia de que há algo do inconsciente que não pode ser sustentado/assumido na vida psíquica consciente e retorna como sintoma.
- Por que as demais estão erradas
- A: associa histeria como “extrato da psicose” — Freud descreve conversão na histeria, mas não como derivada da psicose.
- B e D: falam em “condensado” de estruturas — não corresponde ao enquadramento freudiano clássico (neurose vs. psicose, com mecanismos distintos).
- C: reduz histeria a ansiedade passageira — contradiz a teoria freudiana de conflito psíquico, recalque e formação sintomática.
Assim, a alternativa que melhor expressa a compreensão freudiana (histeria como neurose, ligada ao retorno do inconsciente e à formação de sintoma) é a E.