Mãe leva à unidade de Pronto Atendimento (PA) paciente feminino, 2 anos, com histórico de “chiado no peito e respiração pesada” (sic) há 2 horas. A mãe relata ao médico que a criança é portadora de bronquite e que fez uso de nebulização em casa (3mL de SF0,9% + 2 gotas de bromidrato de fenoterol + 4 gotas de brometo de ipratrópio) há 1 hora, mas não houve resposta. A criança está um pouco agitada, chorosa, afebril, com FR = 36irpm, FC = 122bpm e SpO2 = 94% em ar ambiente. Ao exame físico, chama atenção a presença de sibilos na ausculta respiratória. Sobre insuficiência respiratória e o caso apresentado, é correto afirmar:

Questão

Mãe leva à unidade de Pronto Atendimento (PA) paciente feminino, 2 anos, com histórico de “chiado no peito e respiração pesada” (sic) há 2 horas. A mãe relata ao médico que a criança é portadora de bronquite e que fez uso de nebulização em casa (3mL de SF0,9% + 2 gotas de bromidrato de fenoterol + 4 gotas de brometo de ipratrópio) há 1 hora, mas não houve resposta. A criança está um pouco agitada, chorosa, afebril, com FR = 36irpm, FC = 122bpm e SpO2 = 94% em ar ambiente. Ao exame físico, chama atenção a presença de sibilos na ausculta respiratória. Sobre insuficiência respiratória e o caso apresentado, é correto afirmar:

Alternativas

A) Dentre os diagnósticos diferenciais de broncoespasmo, podemos citar a presença de corpo estranho em via aérea e hipersecreção de muco com diminuição da luz do trato respiratório, tal qual ocorre na fibrose cística e intoxicação por organofosforados.

86%

B) A presença de sibilos define o diagnóstico de broncoespasmo, mas não a sua causa.

C) Com base no caso em questão, sobretudo devido à queda da SpO2 e a não melhora dos sintomas com a nebulização domiciliar realizada pela mãe, o prognóstico é ruim e deve ser feita nebulização com norepinefrina imediatamente.

D) Como a mãe adiantou, trata-se de um quadro de bronquite e o médico deve orientá-la a repetir a nebulização a cada 30 minutos até melhora. Caso não resolva, deve procurar o serviço médico novamente.

Explicação

  1. Análise do caso clínico
  • Criança de 2 anos com “chiado no peito” há 2 horas, sibilos à ausculta, FR 36 irpm (taquipneia leve para a idade), FC 122 bpm, SpO2 94% em ar ambiente.
  • Fez nebulização em casa com broncodilatador beta-2 (fenoterol) + anticolinérgico (ipratrópio) e não melhorou.
  • SpO2 de 94% não configura, por si só, insuficiência respiratória grave; é uma dessaturação leve/limítrofe e deve ser acompanhada e tratada conforme gravidade clínica (trabalho respiratório, tiragens, uso de musculatura acessória, capacidade de falar/chorar, nível de consciência etc.).
  1. Conceito-chave: sibilos e “broncoespasmo”
  • Sibilos indicam estreitamento de vias aéreas (principalmente pequenas vias), mas não “fecham” diagnóstico etiológico.
  • Além de asma/episódio sibilante viral, outras causas de sibilância/obstrução incluem corpo estranho, edema, secreções, bronquiolite, disfunções traqueobrônquicas etc.
  1. Avaliação das alternativas A) Correta. Em diagnósticos diferenciais de quadro compatível com broncoespasmo/obstrução de via aérea inferior, entram:
  • Corpo estranho em via aérea (especialmente em criança pequena, com início súbito).
  • Hipersecreção com redução do lúmen das vias aéreas (ex.: fibrose cística).
  • Intoxicação por organofosforados pode cursar com síndrome colinérgica (broncorreia, broncoespasmo) e obstrução por secreções. Logo, a alternativa lista exemplos válidos de diferenciais.

B) Incorreta. A presença de sibilos não define, de forma definitiva, que o mecanismo seja exclusivamente broncoespasmo; sibilância pode ocorrer por outros mecanismos de estreitamento (secreção, edema, compressão extrínseca), além de que a ausculta é um achado clínico que não “define diagnóstico” isoladamente.

C) Incorreta. O prognóstico não pode ser classificado como “ruim” apenas por SpO2 de 94% e ausência de resposta a uma nebulização domiciliar (a dose pode ter sido inadequada; técnica/inalação pode ter sido ineficaz; diagnóstico pode ser outro). Norepinefrina nebulizada não é conduta padrão para esse cenário; quando se fala em nebulização para estridor/edema de via aérea superior, usa-se tipicamente adrenalina (epinefrina), e não norepinefrina.

D) Incorreta. “Bronquite” não deve ser aceito como diagnóstico fechado apenas pelo relato materno. Repetir nebulização a cada 30 minutos em casa, sem reavaliação e sem plano terapêutico estruturado/estratificação de gravidade, é conduta insegura; além disso, é necessário considerar diagnósticos diferenciais e sinais de gravidade.

Alternativa correta: A.

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