Segundo a teoria da Psicogênese da Língua Escrita, proposta por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, as crianças passam por diferentes níveis de compreensão sobre o funcionamento da escrita até chegarem à alfabetização convencional. Considerando esses níveis, analise a situação a seguir: Uma criança escreve a palavra "cavalo" utilizando apenas duas letras — "AO" — argumentando que "não precisa escrever tudo, só um pouquinho já dá para saber o que é". Com base nessa produção, identifique em qual nível da psicogênese da escrita essa criança se encontra.

Questão

Segundo a teoria da Psicogênese da Língua Escrita, proposta por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, as crianças passam por diferentes níveis de compreensão sobre o funcionamento da escrita até chegarem à alfabetização convencional. Considerando esses níveis, analise a situação a seguir:

Uma criança escreve a palavra "cavalo" utilizando apenas duas letras — "AO" — argumentando que "não precisa escrever tudo, só um pouquinho já dá para saber o que é". Com base nessa produção, identifique em qual nível da psicogênese da escrita essa criança se encontra.

Alternativas

A) Nível Pré-silábico, porque a criança ainda não relaciona letras a sons e acredita que qualquer conjunto de letras representa qualquer palavra.

86%

B) Nível Silábico, porque a criança já tenta relacionar partes da fala a letras, representando cada sílaba com uma única letra.

C) Nível Silábico-alfabético, porque a criança já domina parte do valor sonoro das letras, mas ainda não consegue representar todas as sílabas.

D) Nível Alfabético, porque já há correspondência completa entre fonemas e grafemas.

E) Nível silábico-alfabético, porque a criança já domina todas as letras e consegue, assim, representar todas as sílabas.

Explicação

Pela Psicogênese da Língua Escrita (Ferreiro e Teberosky), os níveis se diferenciam principalmente por como a criança concebe a relação entre fala (sons/sílabas/fonemas) e escrita (letras).

  1. O que a criança produziu
  • Palavra-alvo: “cavalo” (3 sílabas: ca-va-lo).
  • Escrita da criança: “AO” (apenas 2 letras).
  • Justificativa: “não precisa escrever tudo, só um pouquinho já dá para saber o que é”.
  1. O que essa justificativa revela
  • A criança não está preocupada em “codificar” a fala (não tenta garantir que cada sílaba ou fonema esteja representado).
  • Ela trata a escrita como um “marcador” do significado: bastaria um pequeno trecho para identificar a palavra.
  • Isso é típico de uma concepção ainda não fonetizada da escrita (sem compromisso com correspondência som-letra/sílaba-letra).
  1. Por que não é nível silábico (nem silábico-alfabético)
  • No nível silábico, a criança tende a representar cada sílaba por uma letra (por exemplo, para “ca-va-lo” algo como 3 letras, uma por sílaba), pois já há a hipótese de que a escrita se organiza em unidades sonoras (sílabas).
  • Aqui, além de usar apenas 2 letras para uma palavra de 3 sílabas, a justificativa não é “uma letra para cada pedaço falado”, mas sim “não precisa escrever tudo”, o que indica ausência de uma hipótese silábica consistente.
  1. Conclusão A produção “AO” com a justificativa de que “um pouquinho já dá para saber” indica que a criança ainda não estabelece relação sistemática entre letras e sons/sílabas, característica do nível pré-silábico.

Alternativa correta: (A).

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