Jonas, 19 anos, dá entrada no setor de emergência de um grande hospital terciário devido a trauma torácico perfurante à esquerda. Ao exame confuso, agitado, taquicárdico, taquipneico, hipotenso. Paciente apresentava murmúrios vesiculares globalmente presentes bilateralmente, abafamento de bulhas cardíacas e turgência jugular. Realizada avaliação ultrassonográfica orientada para o trauma (FAST) que evidenciou acúmulo de líquido no saco pericárdico. Considerando o diagnóstico mais provável nessa situação, assinale a melhor conduta a ser seguida, segundo o ATLS 10º edição (Advanced Trauma Life Support):
Questão
Jonas, 19 anos, dá entrada no setor de emergência de um grande hospital terciário devido a trauma torácico perfurante à esquerda. Ao exame confuso, agitado, taquicárdico, taquipneico, hipotenso. Paciente apresentava murmúrios vesiculares globalmente presentes bilateralmente, abafamento de bulhas cardíacas e turgência jugular. Realizada avaliação ultrassonográfica orientada para o trauma (FAST) que evidenciou acúmulo de líquido no saco pericárdico. Considerando o diagnóstico mais provável nessa situação, assinale a melhor conduta a ser seguida, segundo o ATLS 10º edição (Advanced Trauma Life Support):
Alternativas
A) Punção de alívio no 2º espaço intercostal à esquerda.
B) Realizar curativo de 3 pontas no ferimento.
C) Deve-se prosseguir com a pericardiocentese subxifoide.
D) Deve-se acionar equipe de cirurgia para realização de toracotomia de emergência.
E) Deve-se administrar solução cristaloide intravenosa e reavaliação após 15 minutos.
Explicação
- Quadro clínico e diagnóstico provável
- Trauma torácico perfurante à esquerda + hipotensão + taquicardia + turgência jugular + abafamento de bulhas cardíacas configuram a tríade de Beck (ou quadro altamente sugestivo) de tamponamento cardíaco.
- O FAST evidenciando líquido no saco pericárdico confirma hemopericárdio, reforçando tamponamento por trauma penetrante.
- Conduta segundo o ATLS (10ª edição)
- No tamponamento cardíaco traumático por lesão penetrante, especialmente com instabilidade hemodinâmica, o tratamento definitivo é cirúrgico (abordagem para descompressão e reparo da lesão cardíaca/pericárdica).
- A pericardiocentese pode até ser considerada apenas como medida temporizadora/ponte em circunstâncias muito específicas (por exemplo, quando não há acesso imediato à intervenção cirúrgica), mas não é a melhor conduta padrão quando há suspeita de hemopericárdio por trauma penetrante, pois o sangue frequentemente coagula e a drenagem por agulha pode ser ineficaz.
- Análise das alternativas A) Punção no 2º EIC à esquerda: conduta típica para pneumotórax hipertensivo (descompressão por agulha), mas o paciente tem murmúrios vesiculares presentes bilateralmente e FAST com líquido pericárdico. B) Curativo de 3 pontas: indicado para ferida torácica aberta/sucção, não trata tamponamento. C) Pericardiocentese subxifoide: não é a melhor conduta em tamponamento por trauma penetrante com provável hemopericárdio coagulado; é medida temporária/ponte quando cirurgia não está imediatamente disponível. D) Acionar cirurgia para toracotomia de emergência: é a conduta mais adequada para descompressão do tamponamento e correção definitiva da lesão no contexto de trauma penetrante e instabilidade. E) Cristaloide e reavaliar: pode ser medida inicial de suporte, mas não resolve a causa obstrutiva (tamponamento) e não é a melhor conduta.
Alternativa correta: (D).