Considere um homem de 40 anos, vítima de trauma torácico fechado em colisão automobilística de alta energia. Encontra-se agitado, com saturação de O₂ em 86% em ar ambiente e FC 122 bpm. Ao exame físico, apresenta expansibilidade torácica reduzida à direita, hipersonoridade à percussão do hemitórax direito e murmúrio vesicular abolido no mesmo lado. Ainda durante a avaliação primária na sala de emergência, evolui com hipotensão e turgência de veias jugulares. Assinale a próxima conduta a ser tomada pela equipe:

Questão

Considere um homem de 40 anos, vítima de trauma torácico fechado em colisão automobilística de alta energia. Encontra-se agitado, com saturação de O₂ em 86% em ar ambiente e FC 122 bpm. Ao exame físico, apresenta expansibilidade torácica reduzida à direita, hipersonoridade à percussão do hemitórax direito e murmúrio vesicular abolido no mesmo lado. Ainda durante a avaliação primária na sala de emergência, evolui com hipotensão e turgência de veias jugulares. Assinale a próxima conduta a ser tomada pela equipe:

Alternativas

A) Solicitar radiografia de tórax com arco em C para confirmação diagnóstica antes de qualquer intervenção invasiva.

B) Realizar imediatamente a drenagem torácica em selo d’água no 5º espaço intercostal, linha axilar média.

C) Proceder à descompressão torácica de emergência com agulha calibrosa no 2º espaço intercostal na linha médio-clavicular ou no 5º espaço intercostal na linha axilar anterior/média.

95%

D) Administrar oxigênio suplementar e observar evolução clínica, pois trata-se de pneumotórax simples sintomático.

E) Iniciar ventilação com pressão positiva visando estabilização hemodinâmica antes de qualquer intervenção torácica.

Explicação

  1. Interpretação do quadro clínico
  • Trauma torácico fechado de alta energia + desconforto respiratório importante (SatO₂ 86% em ar ambiente, agitação).
  • Achados no hemitórax direito: expansibilidade reduzida, hipersonoridade à percussão e murmúrio vesicular abolido → altamente sugestivos de pneumotórax.
  • Piora hemodinâmica durante a avaliação primária com hipotensão + turgência jugular → indica fisiologia obstrutiva por aumento da pressão intratorácica, compatível com pneumotórax hipertensivo.
  1. Diagnóstico e prioridade no ATLS
  • Pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico essencialmente clínico na avaliação primária (A-B-C) e NÃO deve aguardar exames de imagem.
  • A conduta imediata é aliviar a pressão intrapleural para reverter a obstrução ao retorno venoso (explicando a hipotensão e a turgência jugular).
  1. Próxima conduta
  • A intervenção imediata na sala de emergência é a descompressão torácica de emergência (toracostomia com agulha calibrosa), podendo ser realizada:
    • no 2º espaço intercostal na linha médio-clavicular, ou
    • no 4º/5º espaço intercostal na linha axilar anterior/média.
  • Após a descompressão, deve-se proceder à drenagem torácica em selo d’água (toracostomia com dreno) para tratamento definitivo, mas a “próxima conduta” frente à instabilidade é descompressão imediata.
  1. Por que as demais alternativas estão incorretas
  • A) Radiografia antes de intervir: atrasaria tratamento de condição fatal iminente.
  • B) Dreno diretamente: é tratamento definitivo, mas na instabilidade aguda a prioridade é descompressão imediata (mais rápida) para salvar a vida.
  • D) Observação: não é pneumotórax simples; há sinais de hipertensão (choque + jugulares turgidas).
  • E) Ventilação com pressão positiva antes de descomprimir: pode piorar rapidamente o pneumotórax hipertensivo.

Alternativa correta: (C).

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