Na obra À ética protestante e o espírito do capitalismo, o sociólogo Max Weber analisa a influência de um tipo de comportamento religioso no desenvolvimento do capitalismo moderno. O autor destaca a relação particular entre a "ética protestante" e a questão do "trabalho" para mostrar, por exemplo, que: I) o trabalho deve ser encarado como "um dever" (vocação) e não como "uma obrigação"; II) "o aumento de salário não significa aumento da produção". Com base no enunciado e afirmações acima é CORRETO afirmar:
Questão
Na obra À ética protestante e o espírito do capitalismo, o sociólogo Max Weber analisa a influência de um tipo de comportamento religioso no desenvolvimento do capitalismo moderno. O autor destaca a relação particular entre a "ética protestante" e a questão do "trabalho" para mostrar, por exemplo, que: I) o trabalho deve ser encarado como "um dever" (vocação) e não como "uma obrigação"; II) "o aumento de salário não significa aumento da produção". Com base no enunciado e afirmações acima é CORRETO afirmar:
Alternativas
A) O surgimento do capitalismo moderno é o produto autêntico de uma mentalidade protestante.
B) O surgimento do moderno capitalismo do ocidente surgiu de modo acidental.
C) A suposta correlação entre aumento de salário e maior produtividade do trabalho nunca pode ser comprovada.
D) A maneira protestante de encarar o trabalho contribuiu para o maior desenvolvimento do capitalismo em países como a Inglaterra durante a revolução industrial.
E) O modo protestante de encarar o trabalho debilitou a expansão da produção econômica nos países de maioria protestante.
Explicação
Max Weber, em A ética protestante e o espírito do capitalismo, não afirma que o capitalismo moderno seja “produto autêntico” (única causa) do protestantismo, mas que certos valores e disposições associados ao protestantismo ascético (como disciplina, racionalização da vida e valorização do trabalho) favoreceram o desenvolvimento de um “espírito” compatível com o capitalismo.
Analisando as afirmações do enunciado:
I) “O trabalho deve ser encarado como um dever (vocação) e não como uma obrigação.”
- Para Weber, a ideia de Beruf (vocação) transforma o trabalho cotidiano em dever moral diante de Deus, isto é, algo a ser realizado com seriedade, método e constância, e não apenas como imposição externa.
- Essa postura incentiva disciplina, regularidade e conduta racional na vida econômica.
II) “O aumento de salário não significa aumento da produção.”
- Weber discute que, em certos contextos, aumentar salário não gera automaticamente mais produtividade porque pode levar ao chamado “tradicionalismo”: o trabalhador, ao ganhar mais por hora, pode preferir trabalhar menos para manter o mesmo padrão de vida.
- O “espírito capitalista” moderno, ao contrário, exige uma ética de trabalho orientada a desempenho contínuo, pontualidade e produtividade — algo que Weber relaciona a determinadas formas de ascetismo protestante.
Julgamento das alternativas:
- A) Errada: é determinista (como se o capitalismo moderno fosse produto “autêntico”, isto é, exclusivamente protestante). Weber propõe influência/afinidade, não causa única.
- B) Errada: Weber não diz que surgiu “acidentalmente”, mas que houve condições históricas e culturais específicas.
- C) Errada: o ponto não é “nunca pode ser comprovada”; Weber mostra que a relação salário–produtividade não é automática em certas mentalidades/tradições.
- D) Correta: sintetiza a tese weberiana de que a maneira protestante (ascética) de encarar o trabalho como vocação contribuiu para um ambiente favorável ao capitalismo moderno, especialmente em países onde esse ethos teve força (como Inglaterra e outros do Norte da Europa).
- E) Errada: diz o contrário do argumento de Weber (não debilitou; em muitos casos, favoreceu a expansão).
Alternativa correta: (D).