Um homem de 52 anos procura espontaneamente a UPA no período noturno, desacompanhado. Relata tristeza, insônia, perda de interesse por atividades habituais e sensação de “cansaço de viver” há alguns meses, com piora nas últimas semanas após demissão do emprego. Durante a anamnese, inicialmente nega vontade de morrer, mas, ao ser questionado de forma direta e empática, refere pensamentos frequentes do tipo “seria melhor se eu não acordasse” e admite que, nos últimos dias, passou a considerar tomar grande quantidade de medicamentos que mantém em casa (dipirona e paracetamol). Nega tentativa prévia. Possui antecedente de transtorno depressivo e uso abusivo de álcool. Ao exame, encontra-se consciente, orientado, hemodinamicamente estável, porém com humor deprimido e certa lentificação psicomotora. Considerando o atendimento ao risco de suicídio no contexto da emergência, assinale a alternativa CORRETA.

Questão

Um homem de 52 anos procura espontaneamente a UPA no período noturno, desacompanhado. Relata tristeza, insônia, perda de interesse por atividades habituais e sensação de “cansaço de viver” há alguns meses, com piora nas últimas semanas após demissão do emprego. Durante a anamnese, inicialmente nega vontade de morrer, mas, ao ser questionado de forma direta e empática, refere pensamentos frequentes do tipo “seria melhor se eu não acordasse” e admite que, nos últimos dias, passou a considerar tomar grande quantidade de medicamentos que mantém em casa (dipirona e paracetamol). Nega tentativa prévia. Possui antecedente de transtorno depressivo e uso abusivo de álcool. Ao exame, encontra-se consciente, orientado, hemodinamicamente estável, porém com humor deprimido e certa lentificação psicomotora. Considerando o atendimento ao risco de suicídio no contexto da emergência, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

A) Na ausência de tentativa prévia e de comportamento suicida consumado, a conduta inicial pode ser alta com seguimento ambulatorial, desde que o paciente esteja orientado, clinicamente estável e negue intenção suicida imediata ao final da consulta.

B) A presença de ideação suicida, quando não acompanhada de método definido ou tentativa anterior, caracteriza risco intermediário, sendo suficiente o referenciamento ao psiquiatra e reavaliação em curto prazo.

C) A associação entre ideação suicida com planejamento, transtorno psiquiátrico relevante e fragilidade da rede de suporte configura alto risco, indicando internação e avaliação psiquiátrica o quanto antes.

94%

D) Embora fatores sociodemográficos e antecedentes psiquiátricos contribuam para a estratificação do risco, a decisão de internação deve basear-se prioritariamente no relato atual do paciente, sobretudo quando não há tentativa recente.

E) Em serviços de emergência com alta demanda assistencial, a observação clínica prolongada tem utilidade limitada, sendo aceitável definir a conduta a partir de uma única avaliação estruturada, desde que bem documentada.

Explicação

  1. Identificação de sinais e sintomas relevantes
  • O paciente apresenta sintomas depressivos persistentes há meses (tristeza, insônia, anedonia, lentificação), com piora recente por estressor importante (demissão).
  • Há verbalização de ideação suicida passiva (“seria melhor se eu não acordasse”) e, sobretudo, ideação com planejamento recente: considerou ingerir grande quantidade de medicamentos disponíveis em casa (dipirona e paracetamol).
  • Possui fatores de risco importantes: transtorno depressivo prévio, uso abusivo de álcool, procura no período noturno e está desacompanhado (sugere fragilidade/insuficiência de suporte imediato).
  1. Estratificação do risco no contexto de emergência
  • A combinação de: (i) ideação suicida com plano/meio potencialmente acessível, (ii) transtorno psiquiátrico relevante (depressão) e (iii) vulnerabilidades adicionais (álcool, possível baixa rede de apoio/estar sozinho) eleva o caso para alto risco.
  • Em alto risco, a conduta na emergência deve priorizar segurança imediata, redução de acesso a meios letais, vigilância/observação e avaliação psiquiátrica urgente, com forte indicação de internação (voluntária se possível; se não, considerar medidas legais/assistenciais cabíveis conforme avaliação de risco iminente).
  1. Análise das alternativas A) Incorreta. Mesmo sem tentativa prévia, existe ideação com planejamento e acesso a meios, além de depressão e álcool; alta apenas por estar orientado/estável e “negar intenção imediata” ao final não garante segurança. B) Incorreta. A questão traz método/planejamento (ingerir muitos medicamentos) e acesso ao meio; não é “sem método definido”. C) Correta. Ideação com planejamento + transtorno psiquiátrico relevante + fragilidade de suporte configuram alto risco, indicando internação e avaliação psiquiátrica o quanto antes. D) Incorreta. A decisão não deve se basear “prioritariamente” apenas no relato atual; deve integrar fatores de risco/proteção, plano, acesso a meios, suporte, juízo crítico, intoxicação/álcool, etc. E) Incorreta. Uma única avaliação não é suficiente em muitos casos; observação e reavaliações seriadas podem ser decisivas, especialmente quando há risco aumentado e variabilidade do relato.

Alternativa correta: C.

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