"A violência começa muito antes da morte: manifesta-se no controle dos corpos, na sobrecarga do trabalho doméstico, na dependência econômica e na precarização do emprego. Falar em feminicídio significa reconhecer relações de poder baseadas na ideia de posse, na recusa da autonomia feminina e na tentativa de disciplinar as mulheres." Nesse trecho, ao ampliar o conceito de violência para além do ato que resulta na morte, a autora busca:
Questão
"A violência começa muito antes da morte: manifesta-se no controle dos corpos, na sobrecarga do trabalho doméstico, na dependência econômica e na precarização do emprego. Falar em feminicídio significa reconhecer relações de poder baseadas na ideia de posse, na recusa da autonomia feminina e na tentativa de disciplinar as mulheres." Nesse trecho, ao ampliar o conceito de violência para além do ato que resulta na morte, a autora busca:
Alternativas
A) atribuir a ocorrência do feminicídio às condições materiais que intensificam a vulnerabilidade feminina.
B) ampliar a noção de violência ao apresentar manifestações cotidianas desvinculadas das relações de poder.
C) deslocar a noção de violência para situações econômicas associadas à dependência e à precarização do trabalho.
D) restringir a noção de violência ao apresentar condições materiais como determinantes da vulnerabilidade feminina.
E) articular diferentes manifestações da violência à permanência de desigualdades que limitam a autonomia feminina.
Explicação
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O trecho afirma que “a violência começa muito antes da morte” e enumera formas de violência/controle no cotidiano: controle dos corpos, sobrecarga do trabalho doméstico, dependência econômica e precarização do emprego.
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Em seguida, a autora explicita o eixo interpretativo que conecta essas manifestações: falar em feminicídio é reconhecer relações de poder (ideia de posse, recusa da autonomia feminina, tentativa de disciplinar as mulheres).
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Portanto, a ampliação do conceito de violência serve para articular várias expressões (doméstica, econômica, laboral e corporal) a uma estrutura persistente de desigualdade e poder que restringe a autonomia das mulheres.
- (A) e (C) reduzem o foco quase só às condições materiais/econômicas, mas o texto vai além e amarra tudo a relações de poder.
- (B) é errada porque diz que são manifestações “desvinculadas das relações de poder”, e o texto faz exatamente o contrário.
- (D) é errada porque fala em “restringir” a noção, quando o movimento é de ampliação.