Paciente feminina, 66 anos, vai a consulta na unidade básica de saúde para renovação da receita das medicações anti-hipertensivas e anti-diabéticas e relata que gostaria de fazer exames, pois há muitos anos não faz “check-up”. Está assintomática. O médico solicita dosagem de TSH (hormônio tireoestimulante) e T4 livre. O resultado do TSH é de 6,0 mU/L (valor de referência do laboratório - 0,34 a 5,6 mU/L) e do T4 livre de 1,2 ng/dL (valor de referência - 0,7 a 1,8 ng/dL). Nesse momento, a melhor conduta é:

Questão

Paciente feminina, 66 anos, vai a consulta na unidade básica de saúde para renovação da receita das medicações anti-hipertensivas e anti-diabéticas e relata que gostaria de fazer exames, pois há muitos anos não faz “check-up”. Está assintomática. O médico solicita dosagem de TSH (hormônio tireoestimulante) e T4 livre. O resultado do TSH é de 6,0 mU/L (valor de referência do laboratório - 0,34 a 5,6 mU/L) e do T4 livre de 1,2 ng/dL (valor de referência - 0,7 a 1,8 ng/dL). Nesse momento, a melhor conduta é:

Alternativas

A) Repetir os exames futuramente, uma vez que o TSH pode se elevar com o passar da idade, não necessariamente representando doença.

86%

B) O quadro laboratorial da paciente permite o diagnóstico de hipotireoidismo.

C) Se trata de hipotireoidismo subclínico e deve-se iniciar terapia de reposição com levotiroxina.

D) É necessário ultrassom de tireóide e deve ser avaliada possibilidade de biópsia da glândula.

E) Se trata de hipotireoidismo central, deve-se iniciar terapia de reposição com levotiroxina e solicitar ressonância magnética de crânio.

Explicação

Pelos exames:

  • TSH=6,0TSH = 6{,}0 mU/L (ligeiramente acima do VR do laboratório: 0,34–5,6)
  • T4 livre=1,2T4\ livre = 1{,}2 ng/dL (normal: 0,7–1,8)
  • Paciente assintomática, 66 anos.

Esse padrão (TSH discretamente elevado com T4 livre normal) é compatível com hipotireoidismo subclínico.

Conduta: em geral, não se inicia levotiroxina automaticamente quando o TSH está apenas levemente elevado (tipicamente < 10 mU/L), especialmente em idosos assintomáticos, porque:

  1. há uma tendência de elevação discreta do TSH com o envelhecimento, e isso pode não significar doença clinicamente relevante;
  2. muitas vezes é uma alteração transitória (doença intercorrente, variação laboratorial, uso de medicamentos, etc.);
  3. tratar sem indicação clara pode levar a iatrogenia (ex.: excesso de hormônio tireoidiano → risco de arritmias como FA e perda óssea).

Assim, a melhor conduta imediata é confirmar a alteração com nova dosagem em outro momento (e, na prática, costuma-se também considerar solicitar anti-TPO para estratificar risco de progressão, mas isso não é obrigatório para a conduta “agora”).

Analisando as alternativas:

  • A: correta — conduta expectante com repetição/seguimento é a melhor opção no cenário apresentado.
  • B: incorreta — hipotireoidismo “franco” exigiria T4T4 livre baixo.
  • C: incorreta — é subclínico, mas com TSH < 10 e assintomática, não é obrigatória reposição imediata.
  • D: incorreta — US/biópsia é para avaliação de nódulo/suspeita estrutural, não para esse achado isolado.
  • E: incorreta — hipotireoidismo central costuma ter TSH baixo/inapropriadamente normal com T4T4 baixo.

Alternativa correta: (A).

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