A noção de ‘eu’, enquanto indivíduo livre, autônomo e portador de uma dignidade plena, vai se construindo ao longo da história e tem seu principal momento de desenvolvimento no alvorecer da Modernidade. A marca desta nova concepção é a ‘autonomia’, o desprendimento em vista do ‘domínio’ da coletividade. Todavia, nem sempre foi assim, em outros momentos históricos esta capacidade era entendida de maneira diversa. Fonte: adaptado de: VÁRNAGY, T. O pensamento político de John Locke e o surgimento do liberalismo. In: BORON, A. A. Filosofia política: de Hobbes a Marx. Tradução de Celina Lagrutta. São Paulo: Clacso – Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, 2006. Conforme o texto apresentado e acerca do ‘eu’ na Modernidade e a compreensão do indivíduo em outros período históricos, assinale a alternativa correta:

Questão

A noção de ‘eu’, enquanto indivíduo livre, autônomo e portador de uma dignidade plena, vai se construindo ao longo da história e tem seu principal momento de desenvolvimento no alvorecer da Modernidade. A marca desta nova concepção é a ‘autonomia’, o desprendimento em vista do ‘domínio’ da coletividade. Todavia, nem sempre foi assim, em outros momentos históricos esta capacidade era entendida de maneira diversa.

Fonte: adaptado de: VÁRNAGY, T. O pensamento político de John Locke e o surgimento do liberalismo. In: BORON, A. A. Filosofia política: de Hobbes a Marx. Tradução de Celina Lagrutta. São Paulo: Clacso – Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, 2006.

Conforme o texto apresentado e acerca do ‘eu’ na Modernidade e a compreensão do indivíduo em outros período históricos, assinale a alternativa correta:

Alternativas

A) A noção de ‘eu’, enquanto sujeito singular, particular, surge com autores gregos da filosofia clássica, como Aristóteles, que defendia a formação subjetiva da moral.

B) Em todos os momentos históricos, a discussão sobre o ‘indivíduo’ foi bem delineada, o primeiro pensador a realmente propor uma teoria sólida sobre tal tema foi Agostinho.

C) Se pensar na construção teórica sobre o ‘indivíduo’, se poderá ver que a noção de dignidade humana emerge de uma noção religiosa de valorização da vida, algo herdado do Medievo.

D) Na Modernidade, o ‘eu’, enquanto conceito filosófico, se diferenciará do proposto durante a Antiguidade exatamente por enaltecer o caráter produtivo, o ‘homo faber’, aquele que produz.

E) Na Modernidade, a noção de ‘indivíduo’ se diferenciará das noções presentes na Antiguidade e na Idade Média, principalmente por conta da forte submissão do sujeito ao grupo nestes períodos.

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Explicação

O texto afirma que a noção de “eu” como indivíduo livre, autônomo e portador de dignidade plena tem seu principal desenvolvimento no alvorecer da Modernidade, e que sua marca é a autonomia, isto é, um “desprendimento” em relação ao domínio da coletividade. Isso implica contrastar a Modernidade com outros períodos em que o indivíduo era compreendido de modo diferente, em geral mais subordinado a instâncias coletivas.

Analisando as alternativas:

  • A) Incorreta. Na filosofia grega clássica há reflexões éticas e políticas importantes (Aristóteles, por exemplo), mas não se pode dizer que ali já surge a noção moderna de “eu” como sujeito autônomo com dignidade plena; além disso, Aristóteles é fortemente orientado pela ideia de finalidade e de vida na pólis, não pela autonomia individual moderna.

  • B) Incorreta. O enunciado já indica que nem sempre houve essa concepção e que seu “momento principal” é a Modernidade; portanto não faz sentido dizer que “em todos os momentos históricos” a discussão foi bem delineada.

  • C) Embora haja contribuições medievais (especialmente cristãs) para a ideia de valor da vida humana, a alternativa não está alinhada ao foco do texto, que destaca como marco distintivo a autonomia moderna frente ao predomínio do coletivo em outros períodos. A alternativa desloca o centro para uma origem religiosa da dignidade, sem responder corretamente à comparação proposta no comando.

  • D) Incorreta. A diferença indicada no texto não é o “homo faber” (caráter produtivo), mas sim a autonomia do indivíduo em relação à coletividade. A alternativa troca o critério central por outro que não é o ponto do excerto.

  • E) Correta. É exatamente isso que o texto sugere: na Antiguidade e na Idade Média, a subjetividade não se estrutura prioritariamente como autonomia individual plena, estando o sujeito mais submetido ao grupo, à ordem da pólis, à tradição, à comunidade e/ou à hierarquia social-religiosa; na Modernidade, a noção de indivíduo se define sobretudo pela autonomia.

Alternativa correta: (E).

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