Paciente com diabetes mellitus apresenta úlcera infectada em antepé, com eritema extenso, secreção purulenta e dor local. Ao exame, nota-se maceração importante interdigital após uso contínuo de calçado fechado. Sem instabilidade hemodinâmica, sem sinais de necrose, sem crepitação e sem sinais de isquemia crítica. Considerando as diretrizes vigentes sobre o tema, assinale a alternativa correta:

Questão

Paciente com diabetes mellitus apresenta úlcera infectada em antepé, com eritema extenso, secreção purulenta e dor local. Ao exame, nota-se maceração importante interdigital após uso contínuo de calçado fechado. Sem instabilidade hemodinâmica, sem sinais de necrose, sem crepitação e sem sinais de isquemia crítica. Considerando as diretrizes vigentes sobre o tema, assinale a alternativa correta:

Alternativas

A) Trata-se de infecção leve, sendo suficiente cobertura para cocos Gram-positivos com cefalosporina de 1ª geração.

B) O quadro sugere infecção moderada a grave com possibilidade de participação de bacilos Gram-negativos, incluindo Pseudomonas, podendo ser considerada associação com ceftazidima.

86%

C) A presença de maceração torna obrigatória internação hospitalar imediata para antibioticoterapia intravenosa.

D) Na ausência de febre, todo esquema antibiótico deve ser postergado até cultura profunda e imagem avançada.

Explicação

  1. Classificação da gravidade (infecção do pé diabético)
  • O caso descreve úlcera infectada com eritema extenso, secreção purulenta e dor local.
  • Não há instabilidade hemodinâmica nem sinais de fasciíte/necrose gasosa (sem crepitação) e não há isquemia crítica.
  • Pelos critérios usuais de gravidade, infecção “leve” costuma ser mais superficial e com eritema limitado (pequena extensão ao redor da úlcera). Eritema extenso e aspecto mais exuberante sugerem pelo menos infecção moderada (e “grave” ficaria mais ligada a toxicidade sistêmica/instabilidade, que não existe aqui).
  1. Prováveis agentes
  • Em infecções leves: predomínio de cocos Gram-positivos (ex.: Staphylococcus aureus e estreptococos), o que justificaria cefalosporina de 1ª geração.
  • Em infecções moderadas/graves, especialmente quando há infecção mais extensa, há maior chance de flora polimicrobiana, com participação de bacilos Gram-negativos.
  • O enunciado destaca maceração interdigital importante após uso contínuo de calçado fechado (ambiente úmido), situação classicamente associada a maior probabilidade de Pseudomonas (p. ex., em contextos de umidade crônica/intertrigo/maceração), podendo justificar cobertura antipseudomonas em cenários selecionados.
  1. Análise das alternativas
  • A) Incorreta: o quadro não é “leve” por conta do eritema extenso e purulência; limitar a cobertura a Gram-positivos pode ser insuficiente.
  • B) Correta: descreve infecção moderada a grave (na prática, aqui mais para moderada, pela ausência de sinais sistêmicos) com possibilidade de Gram-negativos e Pseudomonas; portanto pode-se considerar esquema com atividade antipseudomonas (ex.: ceftazidima em associação/estratégia conforme protocolo local e perfil do paciente).
  • C) Incorreta: maceração não torna obrigatória internação imediata; internação/IV depende de gravidade sistêmica, necessidade de cirurgia, incapacidade de via oral, falha terapêutica, comorbidades descompensadas etc.
  • D) Incorreta: a ausência de febre não é motivo para postergar antibiótico quando há sinais clínicos de infecção (pus/eritema/dor). Coleta de cultura profunda é ideal antes do antibiótico quando possível, mas não deve atrasar tratamento quando há infecção evidente.

Alternativa correta: (B).

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