Paciente masculino, 76 anos, tabagista 30 maços/ano, chega ao Pronto Socorro (PS) levado por familiares devido à “falta de fôlego” (sic). Relata que o “fôlego está curto” há alguns meses e que tem piorado na última semana. Faz uso de Enalapril 10mg pela manhã. Desconhece outras comorbidades. Apresenta PA = 150x100mmHg, FC = 111bpm, FR = 34irpm, SpO2 = 86%, cianose de mucosas e ungueal, crepitações em terços médios e bases bilateralmente na ausculta pulmonar e edema de membros inferiores (+++/++++). Sobre o caso apresentado, é correto afirmar:

Questão

Paciente masculino, 76 anos, tabagista 30 maços/ano, chega ao Pronto Socorro (PS) levado por familiares devido à “falta de fôlego” (sic). Relata que o “fôlego está curto” há alguns meses e que tem piorado na última semana. Faz uso de Enalapril 10mg pela manhã. Desconhece outras comorbidades. Apresenta PA = 150x100mmHg, FC = 111bpm, FR = 34irpm, SpO2 = 86%, cianose de mucosas e ungueal, crepitações em terços médios e bases bilateralmente na ausculta pulmonar e edema de membros inferiores (+++/++++). Sobre o caso apresentado, é correto afirmar:

Alternativas

A) Pode se tratar de insuficiência respiratória por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), portanto, deve ser ofertado O2 ilimitado em máscara para a SpO2 ficar acima de 95%.

B) Por se tratar de insuficiência respiratória devido a derrame pleural, é imprescindível a realização de TC de tórax para sua confirmação.

C) Embora não relatado, é provável que o paciente apresente dispneia paroxística noturna (DPN).

86%

D) Provável caso de insuficiência cardíaca congestiva e deve ser evitado betabloqueadores na condução do caso após a alta hospitalar devido à diminuição do débito cardíaco e aumento de recidivas.

Explicação

  1. Quadro clínico e hipótese principal
  • Idoso (76 anos), tabagista, com dispneia progressiva há meses e piora na última semana.
  • Sinais de gravidade/insuficiência respiratória: FR = 34 irpm, SpO2 = 86%, cianose.
  • Achados sugestivos de congestão pulmonar: crepitações em terços médios e bases bilateralmente.
  • Achados sugestivos de congestão sistêmica: edema de MMII (+++/++++).
  • Taquicardia (FC 111) e PA elevada (150/100). Conjunto típico de insuficiência cardíaca congestiva/descompensada (especialmente por congestão), mais do que um quadro primariamente pleural ou apenas DPOC.
  1. Análise das alternativas A) Incorreta.
  • Em suspeita de DPOC com retenção crônica de CO2 (risco de hipercapnia), em geral titula-se O2 visando SpO2 ~88–92%, não “O2 ilimitado” para >95%.
  • Além disso, o caso tem forte componente de congestão (crepitações + edema importante), o que aponta mais para IC descompensada do que apenas DPOC.

B) Incorreta.

  • Derrame pleural costuma cursar com redução/abolição de murmúrio vesicular e macicez à percussão, não com crepitações difusas em bases/terços médios bilateralmente.
  • Para suspeita de derrame pleural, Rx de tórax e/ou ultrassom geralmente confirmam; TC não é “imprescindível” para confirmação na abordagem inicial.

C) Correta.

  • Em insuficiência cardíaca congestiva, é comum haver ortopneia e dispneia paroxística noturna (DPN) por redistribuição de fluidos e aumento da congestão pulmonar ao deitar.
  • Mesmo não relatada, pelo quadro de congestão pulmonar e periférica, é plausível/provável que apresente DPN se questionado ativamente.

D) Incorreta.

  • Betabloqueadores (carvedilol, bisoprolol, metoprolol succinato) são terapias que reduzem mortalidade e reinternações em insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida quando o paciente está estável/compensado.
  • Não devem ser “evitados” após a alta por suposta piora de débito; ao contrário, costumam ser indicados (com titulação) após estabilização.

Alternativa correta: (C).

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