O nó na garganta se instala ao vermos a extensão do impacto ambiental provocado pelo rompimento de Fundão, em Minas Gerais, e a gravidade da crise social causada pela lama de rejeitos pertencente às mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton. Há, sim, trabalhos desenvolvidos em torno da reparação, mas não necessariamente vêm sendo suficientes para garantir a reparação integral dos direitos das vítimas atingidas em Minas e no Espírito Santo. Ao contrário, o que nossa experiência de campo revela é que o processo de reparação, da forma como está sendo conduzido — sem transparência, sem participação dos atingidos, desligado de um plano de regeneração socioambiental —, acaba por impor novas violações às populações atingidas pelo rompimento em 2015, gerando a elas um estado de dano contínuo, diariamente agravado. Um fato que, se verdadeiro, não fortalece os argumentos do texto é:

Questão

O nó na garganta se instala ao vermos a extensão do impacto ambiental provocado pelo rompimento de Fundão, em Minas Gerais, e a gravidade da crise social causada pela lama de rejeitos pertencente às mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton. Há, sim, trabalhos desenvolvidos em torno da reparação, mas não necessariamente vêm sendo suficientes para garantir a reparação integral dos direitos das vítimas atingidas em Minas e no Espírito Santo. Ao contrário, o que nossa experiência de campo revela é que o processo de reparação, da forma como está sendo conduzido — sem transparência, sem participação dos atingidos, desligado de um plano de regeneração socioambiental —, acaba por impor novas violações às populações atingidas pelo rompimento em 2015, gerando a elas um estado de dano contínuo, diariamente agravado.

Um fato que, se verdadeiro, não fortalece os argumentos do texto é:

Alternativas

A) Ações isoladas foram realizadas para contornar o impacto da barragem.

B) Foi realizada uma consulta pública sobre as formas de reparação à população ribeirinha.

92%

C) Dentre os poucos trabalhos de reparação, um está acontecendo na Ilha de Campo Grande/ES.

D) Ambientalistas dizem que o desastre matará vidas fluviais e marítimas durante anos e anos.

E) Somente em 2019 foi denunciado um acordo entre autoridades de Minas Gerais e as mineradoras.

Explicação

O texto sustenta que há trabalhos de reparação, porém não são suficientes e, principalmente, que o processo vem sendo conduzido “sem transparência” e “sem participação dos atingidos”, além de estar desconectado de um plano de regeneração socioambiental. Isso reforça a ideia de um processo pouco participativo e que gera novas violações.

A questão pede o fato que, se fosse verdadeiro, não fortaleceria (isto é, entraria em choque com) os argumentos do texto.

  • A) “Ações isoladas” terem sido feitas é compatível com “há trabalhos... mas não necessariamente suficientes”. Fortalece.
  • B) Dizer que foi realizada consulta pública sobre reparação à população ribeirinha implica participação dos atingidos, o que contradiz diretamente o trecho “sem participação dos atingidos”. Portanto, não fortalece.
  • C) Existir um trabalho de reparação em local específico é compatível com “há trabalhos desenvolvidos”. Fortalece.
  • D) Afirmar impactos prolongados em vidas fluviais e marítimas é compatível com “extensão do impacto ambiental”. Fortalece.
  • E) Uma denúncia posterior sobre acordo entre autoridades e mineradoras pode se alinhar à crítica de falta de transparência. Fortalece.

Logo, a alternativa que não fortalece os argumentos do texto é a que afirma a existência de participação formal (consulta pública), contrariando o texto.

Alternativa correta: (B).

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