Criança de 4 anos é levada à unidade básica com queixa de dor intensa em ouvido há 2 dias. A mãe relata piora importante ao tocar a orelha e durante o banho. Nega febre alta. Ao exame, a criança apresenta dor significativa à tração do pavilhão auricular, além de edema e hiperemia difusos do conduto auditivo externo, com secreção espessa. A membrana timpânica não é adequadamente visualizada. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada:

Questão

Criança de 4 anos é levada à unidade básica com queixa de dor intensa em ouvido há 2 dias. A mãe relata piora importante ao tocar a orelha e durante o banho. Nega febre alta. Ao exame, a criança apresenta dor significativa à tração do pavilhão auricular, além de edema e hiperemia difusos do conduto auditivo externo, com secreção espessa. A membrana timpânica não é adequadamente visualizada. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada:

Alternativas

A) Otite média aguda — iniciar amoxicilina via oral.

B) Otite externa difusa — realizar limpeza do conduto auditivo e prescrever antibiótico tópico associado a corticoide.

92%

C) Mastoidite aguda — encaminhar para internação e iniciar antibioticoterapia venosa.

D) Furunculose do conduto auditivo — prescrever antibiótico sistêmico e indicar drenagem imediata.

E) Otite externa necrosante — iniciar ciprofloxacino sistêmico e investigar imunossupressão.

Explicação

Pelos dados do enunciado, o quadro é típico de otite externa aguda difusa (“ouvido do nadador”):

  1. Dor que piora ao tocar a orelha e dor à tração do pavilhão auricular (e/ou pressão no trago) é um achado muito sugestivo de acometimento do conduto auditivo externo, e não da orelha média.
  2. Piora durante o banho sugere relação com umidade/água no conduto.
  3. Ao exame há edema e hiperemia difusos do conduto com secreção espessa, compatível com otite externa difusa.
  4. A membrana timpânica não é bem visualizada por edema/secreção do conduto, algo comum na otite externa; isso, por si só, não aponta para otite média.
  5. Ausência de sinais sistêmicos importantes (ex.: febre alta, toxemia) e ausência de sinais retroauriculares tornam mastoidite improvável.
  6. Furúnculo (furunculose) costuma ser uma infecção focal (um “nódulo” doloroso) do terço externo do conduto, e não edema/hiperemia difusos.
  7. Otite externa necrosante é rara em criança e tipicamente associada a imunossupressão/diabetes, com quadro mais grave e persistente.

Conduta inicial adequada:

  • Limpeza do conduto (toalete auricular) para remover secreção e facilitar a penetração do medicamento.
  • Antibiótico tópico associado a corticoide (gota otológica) para controlar infecção e inflamação/edema. Em casos de edema importante, pode ser necessário pavio (wick) para permitir a entrega do tópico.

Portanto, a alternativa correta é a que traz otite externa difusa e tratamento tópico com limpeza do conduto.

Alternativa correta: (B).

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