Uma noção importante ao considerar o diagnóstico em psicanálise é a realidade psíquica. Na escuta é preciso considerar que há uma realidade do mundo que está externo ao sujeito, a chamada realidade factual, e a realidade particular do sujeito que implica o inconsciente. Considerando essa afirmação marque a alternativa que explica a noção de realidade psíquica.
Questão
Uma noção importante ao considerar o diagnóstico em psicanálise é a realidade psíquica. Na escuta é preciso considerar que há uma realidade do mundo que está externo ao sujeito, a chamada realidade factual, e a realidade particular do sujeito que implica o inconsciente. Considerando essa afirmação marque a alternativa que explica a noção de realidade psíquica.
Alternativas
A) O sujeito se constitui de um modo singular sem influências do mundo.
B) A realidade factual se diferencia da realidade psíquica. Nela há uma prevalência do superego e na realidade psíquica predomina o ego.
C) Aquilo que é vivido no mundo externo é sempre parcialmente assimilado, pois depende dos caminhos percorridos até ser inscrito no psiquismo: processos que envolvem desvios e transformações pelas defesas psíquicas, o limite da memória, processos de identificação, etc.
D) O ego é a constituição psíquica e todo o conhecimento do inconsciente acerca dele é incompleto.
E) O inconsciente como verdade constitutiva do sujeito coloca em jogo uma positividade ao colocar a realidade psíquica no centro da experiência humana.
Explicação
Em psicanálise, realidade psíquica não é sinônimo de “realidade factual” (o que aconteceu objetivamente no mundo externo). Ela diz respeito ao modo como o sujeito vive, significa e inscreve suas experiências no aparelho psíquico (fantasias, desejos, defesas, lembranças encobridoras, identificações etc.). Por isso, o que vem do exterior não entra “puro” no psiquismo: passa por transformações, recortes e deformações conforme o funcionamento inconsciente e os mecanismos de defesa.
Analisando as alternativas:
- A é falsa: a constituição do sujeito é singular, mas sofre influências do mundo (laços, linguagem, cultura).
- B é incorreta: não se define realidade factual vs. psíquica por “prevalência de superego/ego”; além disso, essa oposição não corresponde ao conceito.
- C descreve exatamente a ideia: a experiência externa é parcialmente assimilada e transformada ao ser inscrita no psiquismo (defesas, memória, identificações etc.), o que caracteriza a realidade psíquica.
- D é vaga e não explica a noção de realidade psíquica; além disso, reduz indevidamente à questão do ego.
- E é muito genérica: fala do inconsciente como constitutivo, mas não define/explica a realidade psíquica em contraste com a factual.