Em sua obra "Raízes do Brasil", o historiador Sérgio Buarque de Holanda descreve traços comportamentais na política brasileira que dificultam a separação do que é público e privado, como observamos no trecho a seguir. "No Brasil, pode-se dizer que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados aos interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo da nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente pró pessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimia com mais força e desenvoltura na nossa sociedade." (HOLANDA, 2007, p. 146). Tomando como base nessas informações, é correto afirmar que:
Questão
Em sua obra "Raízes do Brasil", o historiador Sérgio Buarque de Holanda descreve traços comportamentais na política brasileira que dificultam a separação do que é público e privado, como observamos no trecho a seguir.
"No Brasil, pode-se dizer que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados aos interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo da nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente pró pessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimia com mais força e desenvoltura na nossa sociedade." (HOLANDA, 2007, p. 146).
Tomando como base nessas informações, é correto afirmar que:
Alternativas
A. O personalismo exagerado é marcando na fala do autor ao descrever "privilégios e hierarquias" e "o predomínio constante das vontades coletivas".
B. A cordialidade do homem na interpretação de Holanda retrata uma simbologia vivenciada na vida privada sem o mundo público.
C. Na esfera política, os interesses e afetos pessoais, nas relações políticas, moldam a lei, favorecendo aqueles que mais precisam.
D. Nessa obra, Holanda procura explicar que determinados grupos empresariais concentram o poder e disputam a política no Brasil.
E. O estatismo, na visão de Holanda, é uma visão que resguarda o próprio patrimônio privado, caracterizando uma herança dos portugueses e espanhóis na gestão privada no país.
Explicação
O trecho destaca que, na história brasileira, raramente houve um sistema administrativo voltado a “interesses objetivos” (impessoais). Ao contrário, predominam “vontades particulares”, e o círculo da família aparece como o mais forte, isto é, a lógica da vida privada (afetos, favoritismos, relações pessoais) invade e organiza o funcionamento do Estado.
Em Raízes do Brasil, essa dificuldade de separar público e privado se relaciona ao conceito do “homem cordial”: não significa “gentileza”, mas a tendência de agir a partir de vínculos pessoais e afetivos, transportando para a esfera pública padrões próprios do ambiente doméstico/familiar. Assim, a administração e a política ficam marcadas por personalismo e confusão entre o que é da casa (privado) e o que é do Estado (público).
Analisando as alternativas:
- A erra ao falar em “predomínio constante das vontades coletivas”; o texto afirma o predomínio de vontades particulares.
- B é a que melhor traduz a ideia do autor: a cordialidade como marca de uma sociabilidade privada que não se ajusta plenamente às exigências impessoais do mundo público.
- C distorce ao afirmar que a lei “favorece aqueles que mais precisam”; o ponto do texto é o favorecimento por relações pessoais, não por necessidade social.
- D não é o foco do trecho (não trata de grupos empresariais disputando poder).
- E fala em “estatismo” e em herança ibérica nesse sentido, mas isso não é o que o excerto está enfatizando (aqui o núcleo é família/personalismo e confusão público-privado).
Alternativa correta: (B).