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Leia o texto a seguir.
A dança do verbo regente
“O mesmo verbo pode assumir significados diferentes a cada relação que mantém com seus complementos”
John Robert Schmitz, do Departamento de Linguística Aplicada do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, já tentou entender o que passa pela mente dos usuários do idioma quando usam verbos na companhia de preposições consideradas indevidas segundo a regência “oficial” no idioma, como em “pisar na bola”, “implicar em alguma coisa”, “consistir em” e “namorar com”.
Há usuários, diz Schmitz, para quem retirar a preposição do verbo “pisar” num enunciado significaria que nada foi realmente pisado. Por isso, brasileiros “pisam no acelerador” e “na tábua”, mas sabem que não devem “pisar na grama”. Os portugueses dizem “pisou a bola”. A um brasileiro, no entanto, soaria estranho dizer tal frase, assim como “pisou o tomate” ou “o freio”, como recomenda a gramática normativa.
O brasileiro dá de ombros à própria ambiguidade de sentidos de “pisou na bola”, pois raramente se sente desconfortável entre as possibilidades de alguém ter escorregado na bola, feito falta num jogo ou dito uma besteira em campo, ao juiz, ou fora dele, a outro qualquer. Em cada caso a regência oficial de “pisar”, o brasileiro entenderia que a preposição “em” enfatiza a ação e expressa a violência potencial embutida no verbo.
(Luiz Costa Pereira Jr. Revista Língua. Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos/46/artigo248657-1.asp. Acesso em: 9 dez. 2013. Adapt.)
As pessoas, no dia a dia, nem sempre usam as preposições de acordo com o que está prescrito na gramática normativa. Para exemplificar essa ideia, o autor do texto toma como referência o verbo “pisar”, que é
(A) transitivo indireto e deveria ser usado com a preposição em, porém os brasileiros preferem a forma transitiva direta, que passa uma ideia mais forte de acordo com o contexto em que é usada
(B) intransitivo, geralmente, na norma-padrão, embora esta ainda admita alguns casos de transitividade, mas, na fala dos portugueses, o verbo se transformou em transitivo indireto
(C) transitivo direto regendo a preposição a, talvez uma das poucas regras da norma-padrão que são respeitadas na fala dos brasileiros e não na fala dos portugueses, que preferem usá-lo como intransitivo
(D) transitivo direto de acordo com a norma-padrão, porém, na fala dos brasileiros, esse verbo é majoritariamente usado regendo a preposição em, que funciona como um reforço para o seu sentido, metafórico ou não
(E) bitransitivo, ou seja, exige complemento direto e indireto segundo a norma-padrão, mas, na fala dos brasileiros, acaba recebendo apenas o objeto indireto, regido pela preposição com
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