O estudo de caso da Baía de Guanabara oferece aprendizados que transcendem o contexto local e podem ser aplicados ao planejamento de projetos de restauração em outros ecossistemas costeiros do Brasil. A síntese das estratégias adotadas, dos resultados alcançados e dos fatores de sucesso identificados constitui um referencial técnico valioso para gestores, técnicos e comunidades envolvidas em iniciativas de recuperação ambiental. Um gestor ambiental de um município do litoral do Ceará precisa elaborar uma proposta de restauração para um manguezal degradado por expansão urbana e poluição industrial. Com base nas no estudo de caso da Baía de Guanabara e nos procedimentos, assinale a alternativa que apresenta a proposta mais fundamentada e alinhada ao conteúdo estudado:

Questão

O estudo de caso da Baía de Guanabara oferece aprendizados que transcendem o contexto local e podem ser aplicados ao planejamento de projetos de restauração em outros ecossistemas costeiros do Brasil. A síntese das estratégias adotadas, dos resultados alcançados e dos fatores de sucesso identificados constitui um referencial técnico valioso para gestores, técnicos e comunidades envolvidas em iniciativas de recuperação ambiental.

Um gestor ambiental de um município do litoral do Ceará precisa elaborar uma proposta de restauração para um manguezal degradado por expansão urbana e poluição industrial.

Com base nas no estudo de caso da Baía de Guanabara e nos procedimentos, assinale a alternativa que apresenta a proposta mais fundamentada e alinhada ao conteúdo estudado:

Alternativas

A) A proposta deve priorizar o plantio de espécies exóticas de rápido crescimento para cobrir rapidamente a área degradada, dispensando o diagnóstico ambiental prévio e a participação das comunidades locais, a fim de reduzir o tempo e o custo do projeto.

B) A proposta deve iniciar com diagnóstico ambiental detalhado, seguido de planejamento participativo com pescadores e comunidades locais, preparo da área com remoção de resíduos e controle de invasoras, plantio de propágulos nativos com abertura de canais de maré, monitoramento contínuo e inclusão de mecanismos de educação ambiental e PSA para garantir a sustentabilidade.

92%

C) A proposta mais eficaz é a instalação de estruturas de engenharia rígida, como espigões e quebra-mares, ao redor do manguezal degradado, a fim de protegê-lo da poluição e da urbanização adjacente, dispensando intervenções de revegetação ativa.

D) O modelo de Guanabara não é replicável em outros contextos costeiros, pois suas estratégias foram desenvolvidas especificamente para as condições climáticas, socioeconômicas e ecológicas da Baía de Guanabara, sendo inadequadas para ecossistemas de manguezal do litoral nordestino.

Explicação

Para uma restauração de manguezal degradado por urbanização e poluição industrial, a proposta mais alinhada a boas práticas (e aos aprendizados generalizáveis de um estudo de caso como o da Baía de Guanabara) deve combinar: diagnóstico técnico, intervenções ecológico-hidrológicas, revegetação com espécies nativas, participação social e monitoramento/gestão adaptativa.

Analisando as alternativas:

  • A está incorreta porque propõe espécies exóticas (o que tende a gerar novos impactos e não restaura a estrutura/funcionamento do ecossistema) e ainda dispensa diagnóstico e participação social, que são etapas essenciais para entender as causas da degradação e garantir adesão/continuidade do projeto.

  • B é a mais fundamentada porque organiza o projeto em um fluxo lógico e completo:

    1. Diagnóstico ambiental detalhado (pressões, fontes de poluição, hidrodinâmica/maré, condições do solo, cobertura vegetal remanescente);
    2. Planejamento participativo com pescadores e comunidades (quem usa o território e conhece os impactos, além de ser central para reduzir conflitos e aumentar a governança);
    3. Preparo da área (remoção de resíduos, controle de espécies invasoras e eliminação de fatores que impedem a regeneração);
    4. Restauração hidrológica (ex.: abertura/recuperação de canais de maré, crucial para restabelecer inundação, salinidade e transporte de sedimentos);
    5. Plantio de propágulos nativos (recomposição compatível com o ecossistema de mangue);
    6. Monitoramento contínuo (sobrevivência, recrutamento natural, qualidade da água, evolução do sedimento), permitindo correções;
    7. Educação ambiental e instrumentos econômicos como PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), aumentando a sustentabilidade e a permanência dos resultados.
  • C está inadequada porque foca em engenharia rígida (espigões/quebra-mares) como solução principal, o que não resolve as causas (poluição/ocupação) e não recompõe a funcionalidade ecológica do manguezal; além disso, “proteger com obras” não substitui restauração ecológica e governança.

  • D é incorreta porque, embora cada local tenha suas especificidades, lições e procedimentos (diagnóstico, participação, reestabelecimento hidrológico, uso de nativas, monitoramento e instrumentos de sustentação) são replicáveis/adaptáveis a outros ecossistemas costeiros.

Logo, a alternativa que melhor integra procedimentos técnicos e fatores de sucesso aplicáveis ao Ceará é a B.

Alternativa correta: (B).

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