Dois pacientes estão esperando atendimento no saguão da UBS: Dona Maria, 85 anos, diabética e hipertensa, procurou consulta devido lombalgia crônica exacerbada, pois é portadora de artrose de coluna lombar; e Luís, 42 anos, previamente hígido, tabagista, deu entrada por demanda espontânea com queixa de dor torácica em aperto irradiada para membro superior esquerdo. O médico da unidade prontamente chama Luiz para atendimento, deixando dona Maria indignada com a situação, porque foi a primeira paciente a chegar. A conduta do médico foi:
Questão
Dois pacientes estão esperando atendimento no saguão da UBS: Dona Maria, 85 anos, diabética e hipertensa, procurou consulta devido lombalgia crônica exacerbada, pois é portadora de artrose de coluna lombar; e Luís, 42 anos, previamente hígido, tabagista, deu entrada por demanda espontânea com queixa de dor torácica em aperto irradiada para membro superior esquerdo. O médico da unidade prontamente chama Luiz para atendimento, deixando dona Maria indignada com a situação, porque foi a primeira paciente a chegar. A conduta do médico foi:
Alternativas
A) Inadequada. Devido às comorbidades e idade avançada, dona Maria teria preferência no atendimento, pois deve ser respeitada a preferência por idade.
B) Inadequada, pois a triagem deveria ter encaminhado Luís diretamente para o pronto-socorro e não realizado o acolhimento.
C) Compatível com o princípio de equidade do SUS, uma vez que Luís apresenta quadro potencialmente mais grave e, portanto, deve ser priorizado.
D) Compatível com o princípio de hierarquização do SUS, e Dona Maria não requer atendimento na ocasião.
Explicação
- Análise clínica e risco
- Dona Maria (85 anos, diabética e hipertensa) procura consulta por lombalgia crônica exacerbada em contexto de artrose lombar. Apesar de demandar cuidado e ter comorbidades, o quadro descrito é crônico e, em geral, não sugere risco imediato de morte.
- Luís (42 anos, tabagista) chega por demanda espontânea com dor torácica em aperto irradiada para membro superior esquerdo, descrição típica de síndrome coronariana aguda. Trata-se de situação potencialmente grave e tempo-dependente (risco de infarto e morte), devendo ser priorizada no atendimento.
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Critério de priorização no SUS (acolhimento com classificação de risco) Na Atenção Primária/UBS, o acolhimento não se organiza pela ordem de chegada quando há sinais/sintomas de maior gravidade. A prioridade deve seguir a necessidade clínica (risco), para garantir acesso oportuno a quem pode deteriorar rapidamente.
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Princípio aplicado: equidade Equidade significa tratar desigualmente os desiguais, oferecendo mais e mais rápido a quem tem maior necessidade/risco naquele momento. Assim, priorizar um paciente com dor torácica típica sobre outro com dor crônica é conduta compatível com equidade.
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Por que as demais alternativas estão erradas
- A) Incorreta: idade pode gerar prioridade administrativa em alguns contextos, mas em cenários assistenciais com classificação de risco, a gravidade/urgência prevalece sobre a ordem de chegada/critério etário.
- B) Incorreta: a UBS pode (e deve) acolher e identificar sinais de gravidade, acionando fluxos de urgência; o erro não é acolher, e sim deixar de priorizar/encaminhar após avaliação inicial. A questão, porém, pergunta sobre chamar Luís primeiro — o que está correto.
- D) Incorreta: não é “hierarquização” que justifica a prioridade. Além disso, Dona Maria requer avaliação, apenas não deve ser priorizada frente a um quadro sugestivo de urgência.
Alternativa correta: C.