Uma empresa produtora de sementes de soja passou a investir em programas avançados de manejo fitossanitário visando reduzir perdas associadas à disseminação de patógenos entre áreas de produção. Embora os padrões de qualidade física e fisiológica das sementes fossem considerados adequados, levantamentos epidemiológicos indicavam aumento da incidência de determinadas doenças em regiões que recebiam lotes originados da empresa. Uma equipe multidisciplinar foi formada para investigar a situação. Inicialmente, foram analisadas características biológicas dos organismos envolvidos, históricos de ocorrência das doenças e formas de sobrevivência dos agentes patogênicos. Também foram avaliadas estratégias de manejo adotadas pelos agricultores e a eficiência das medidas preventivas utilizadas. Durante a investigação, os pesquisadores observaram que determinados patógenos apresentavam elevada capacidade de sobrevivência em sementes e restos culturais. Além disso, verificaram que esses organismos produziam estruturas capazes de permanecer viáveis mesmo durante períodos desfavoráveis ao desenvolvimento da doença, retomando suas atividades e iniciando novos ciclos de infecção quando as condições ambientais se tornavam adequadas. Os especialistas destacaram que compreender o comportamento ecológico e nutricional dos organismos patogênicos é essencial para estabelecer medidas de controle eficientes. Em algumas regiões, práticas como tratamento de sementes e análise do histórico da área apresentaram elevada eficiência preventiva. Em outros, essas estratégias possuíam importância limitada em razão das características biológicas do agente causal. Com base nos resultados obtidos, a equipe decidiu priorizar medidas relacionadas ao tratamento de sementes e ao monitoramento da movimentação de material propagativo, pois esse conjunto de ações apresentava maior potencial para reduzir a disseminação do grupo de patógenos predominante nas áreas avaliadas. Nesse contexto, a adoção prioritária do tratamento de sementes é particularmente indicada quando a doença é causada por organismos

Questão

Uma empresa produtora de sementes de soja passou a investir em programas avançados de manejo fitossanitário visando reduzir perdas associadas à disseminação de patógenos entre áreas de produção. Embora os padrões de qualidade física e fisiológica das sementes fossem considerados adequados, levantamentos epidemiológicos indicavam aumento da incidência de determinadas doenças em regiões que recebiam lotes originados da empresa. Uma equipe multidisciplinar foi formada para investigar a situação. Inicialmente, foram analisadas características biológicas dos organismos envolvidos, históricos de ocorrência das doenças e formas de sobrevivência dos agentes patogênicos. Também foram avaliadas estratégias de manejo adotadas pelos agricultores e a eficiência das medidas preventivas utilizadas. Durante a investigação, os pesquisadores observaram que determinados patógenos apresentavam elevada capacidade de sobrevivência em sementes e restos culturais. Além disso, verificaram que esses organismos produziam estruturas capazes de permanecer viáveis mesmo durante períodos desfavoráveis ao desenvolvimento da doença, retomando suas atividades e iniciando novos ciclos de infecção quando as condições ambientais se tornavam adequadas. Os especialistas destacaram que compreender o comportamento ecológico e nutricional dos organismos patogênicos é essencial para estabelecer medidas de controle eficientes. Em algumas regiões, práticas como tratamento de sementes e análise do histórico da área apresentaram elevada eficiência preventiva. Em outros, essas estratégias possuíam importância limitada em razão das características biológicas do agente causal. Com base nos resultados obtidos, a equipe decidiu priorizar medidas relacionadas ao tratamento de sementes e ao monitoramento da movimentação de material propagativo, pois esse conjunto de ações apresentava maior potencial para reduzir a disseminação do grupo de patógenos predominante nas áreas avaliadas.

Nesse contexto, a adoção prioritária do tratamento de sementes é particularmente indicada quando a doença é causada por organismos

Alternativas

A) biotróficos, cuja disseminação ocorre predominantemente por insetos vetores especializados

B) necrotróficos, capazes de sobreviver em sementes e estruturas de resistência presentes no ambiente

92%

C) virais, cuja persistência depende exclusivamente da multiplicação sistêmica na planta infectada

D) obrigatórios, que não apresentam qualquer relação epidemiológica com material propagativo

Explicação

Para decidir quando tratamento de sementes deve ser priorizado, é preciso olhar para a epidemiologia do patógeno: se ele sobrevive e é transportado pela semente, a semente funciona como importante fonte de inóculo primário e também como meio de disseminação entre áreas (exatamente o problema descrito no enunciado).

O texto destaca que os patógenos observados:

  1. têm elevada capacidade de sobrevivência em sementes e restos culturais;
  2. produzem estruturas de resistência que ficam viáveis em períodos desfavoráveis e reiniciam o ciclo quando o ambiente volta a ser adequado.

Esse conjunto de características é típico de muitos fungos necrotróficos (e também de alguns hemibiotróficos em fases saprofíticas), que:

  • conseguem persistir fora do hospedeiro vivo (em restos culturais e no solo),
  • formam estruturas de resistência (ex.: escleródios, clamidósporos, etc.),
  • podem estar associados às sementes, permitindo introdução do patógeno em novas áreas.

Assim, o tratamento de sementes é particularmente indicado quando o agente causal é transmitido/sobrevive pela semente, o que se encaixa diretamente na alternativa B.

Analisando as demais:

  • A (biotróficos com vetores): se a disseminação é predominantemente por insetos vetores especializados, o foco principal seria manejo do vetor e da fonte de inóculo no campo, não a semente.
  • C (virais): muitos vírus dependem de vetores e/ou plantas hospedeiras; “persistência exclusivamente por multiplicação sistêmica” não caracteriza cenário em que tratamento de sementes seja a medida prioritária.
  • D (obrigatórios sem relação com material propagativo): contradiz o enunciado, que aponta relação clara com semente/material propagativo.

Alternativa correta: (B).

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