Dentição Decídua: 1- Paciente J.L. de 6 anos de idade leucoderma, compareceu ao consultório odontológico do ISPCAALA, acompanhado pela mãe, com queixa de ter caído ao brincar no balanço. Durante a anamnese a criança apresenta um comportamento de medo e apatia; a mãe relata ter ocorrido o trauma há 30 minutos. Ao exame extrabucal observou-se pequenos ferimentos e hematomas nos lábios e no mento; ao exame clínico intrabucal observou-se ferimento e sangramento gengival. O elemento 61 apresenta fratura de esmalte, dentina e polpa; ao exame radiográfico observou-se que o elemento 53 apresenta fratura radicular com um terço apical. A) Qual é o tratamento indicado para este paciente? B) Elabora o plano de tratamento ideal para este paciente.

Questão

1- Paciente J.L. de 6 anos de idade leucoderma, compareceu ao consultório odontológico do ISPCAALA, acompanhado pela mãe, com queixa de ter caído ao brincar no balanço. Durante a anamnese a criança apresenta um comportamento de medo e apatia; a mãe relata ter ocorrido o trauma há 30 minutos. Ao exame extrabucal observou-se pequenos ferimentos e hematomas nos lábios e no mento; ao exame clínico intrabucal observou-se ferimento e sangramento gengival. O elemento 61 apresenta fratura de esmalte, dentina e polpa; ao exame radiográfico observou-se que o elemento 53 apresenta fratura radicular com um terço apical.

A) Qual é o tratamento indicado para este paciente? B) Elabora o plano de tratamento ideal para este paciente.

Resposta78%

**A) Tratamento indicado (conduta imediata e definitiva)

  1. Urgência/primeiros cuidados (trauma há 30 min):
  • Controle de sangramento e limpeza dos ferimentos (lábios/mento e gengiva) com irrigação com soro fisiológico, remoção de detritos e antissepsia.
  • Avaliar necessidade de sutura (se laceração profunda), fotografar/registrar e orientar compressas frias extraorais.
  • Analgesia (preferir paracetamol ou ibuprofeno conforme peso/idade e sem contraindicações) e orientação alimentar (dieta macia e fria nas primeiras 24–48 h).
  • Verificar status antitetânico e encaminhar para avaliação médica se houver feridas extensas/contaminadas ou suspeita de lesão facial.
  1. Elemento 61 (incisivo central superior decíduo) com fratura esmalte+dentina+polpa (fratura coronária complicada):
  • Tratamento de escolha, na maioria dos casos: pulpectomia (tratamento endodôntico em dente decíduo) + restauração (preferencialmente restauração adesiva/compósito; se grande perda coronária, considerar coroa em policarbonato/acetato ou coroa de aço com faceta, conforme disponibilidade).
  • Alternativa quando o prognóstico/restauração for inviável, houver cooperação muito limitada, ou sinais/riscos elevados (ex.: fratura extensa subgengival, reabsorção patológica, infecção): exodontia do 61.
  1. Elemento 53 (canino superior decíduo) com fratura radicular no terço apical:
  • Conduta mais indicada: tratamento conservador (observação), porque a porção apical frequentemente permanece estável e pode ocorrer cicatrização.
  • Se houver mobilidade/ deslocamento do fragmento coronário ou dor importante: reposicionamento suave (se deslocado) e contenção flexível por período curto (em geral 3–4 semanas), quando indicado.
  • Se evoluir com sinais de necrose/infeção (fístula, abscesso, radiolucidez, dor persistente, mobilidade progressiva): exodontia do fragmento coronário, preferindo manter o fragmento apical se não infectado (para reduzir risco ao germe do permanente).

**B) Plano de tratamento ideal (sequência organizada)

  1. Avaliação inicial e registro:
  • História do trauma (mecanismo, perda de consciência, vômitos, cefaleia) e exame de tecidos moles.
  • Exame oclusal e de mobilidade, percussão e sensibilidade ao toque.
  • Radiografias adicionais conforme necessidade (periapical/oclusal para 61 e 53; avaliar proximidade com germes dos permanentes).
  1. Controle de tecidos moles:
  • Irrigar feridas, remover corpos estranhos (atenção a fragmentos dentários em lábio), hemostasia.
  • Sutura se necessário.
  • Orientações domiciliares: higiene cuidadosa com escova macia; bochecho com clorexidina 0,12% (se a criança conseguir cuspir adequadamente; caso contrário, aplicar com gaze/cotonete na área por poucos dias); dieta macia; evitar chupeta/morder objetos.
  1. Tratamento do dente 61 (fratura coronária com exposição pulpar):
  • Objetivo: manter o dente decíduo funcional e sem infecção até a esfoliação, protegendo o sucessor permanente.
  • Passos (ideal): a) Anestesia local e isolamento relativo (ou absoluto se houver colaboração). b) Remoção de tecido pulpar coronário comprometido e decisão terapêutica:
    • Se exposição recente e pequena e sem sinais de inflamação avançada: pode-se considerar pulpotomia; porém, em muitos traumas com exposição e fratura extensa, a opção mais previsível é pulpectomia.
    • Pulpectomia: instrumentação cuidadosa, irrigação compatível com decíduos, obturação com material reabsorvível (ex.: pasta iodofórmica/hidróxido de cálcio-iodofórmio) e selamento. c) Restauração definitiva (resina composta; se necessário, coroa estética em decíduo). d) Ajuste oclusal se houver contatos traumáticos.
  1. Tratamento do dente 53 (fratura radicular apical):
  • Avaliar clinicamente: mobilidade do segmento coronário, deslocamento, dor à mastigação.
  • Se sem deslocamento importante e pouca mobilidade: apenas orientar e acompanhar.
  • Se deslocado/móvel: reposicionar e contenção flexível por curto prazo.
  • Evitar manipulação agressiva para não lesar o germe do 13.
  1. Medicações e orientações:
  • Analgésico conforme necessidade.
  • Antibiótico não é rotineiro em fraturas coronárias/radiculares sem sinais sistêmicos ou infecção; considerar somente se houver feridas contaminadas extensas, sinais de infecção, ou orientação médica.
  1. Acompanhamento (fundamental em trauma):
  • Reavaliações clínicas e radiográficas: ~1 semana (tecidos moles e dor), 3–4 semanas (se houver contenção, remover/avaliar), 6–8 semanas, 6 meses e 1 ano.
  • Monitorar: alteração de cor, fístula, mobilidade, dor, reabsorções patológicas, lesão periapical e possíveis efeitos nos permanentes.
  1. Se houver perda do 61 (exodontia):
  • Avaliar necessidade de mantenedor de espaço (geralmente para incisivo decíduo anterior nem sempre é obrigatório por espaço, mas pode ser indicado por estética/fonação/hábito, dependendo do caso e do tempo até a erupção do permanente).
  • Orientar acompanhamento do desenvolvimento do incisivo permanente.

Resumo final:

  • 61: preferencialmente pulpectomia + restauração (ou exodontia se inviável).
  • 53 (fratura radicular apical): abordagem conservadora com acompanhamento, com contenção/reposicionamento apenas se houver deslocamento/mobilidade significativa; exodontia do fragmento coronário apenas se complicar com infecção/necrose.
Explicação

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