Enquanto quis Fortuna¹ que tivesse Esperança de algum contentamento, O gosto de um suave pensamento² Me fez que seus efeitos escrevesse. Porém, temendo Amor³ que aviso desse Minha escritura a algum juízo isento⁴, Escureceu-me o engenho⁵ com tormento, Para que seus enganos não dissesse. Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos A diversas vontades, quando lerdes Num breve livro casos tão diversos, Verdades puras são, e não defeitos⁶, E sabei que, segundo o amor tiverdes, Tereis o entendimento de meus versos. (Luís de Camões. 20 sonetos, 2018) Notas: 1 Fortuna: entidade mítica que presidia a sorte dos homens. 2 suave pensamento: sentimento amoroso. 3 Amor: entidade mítica que personifica o amor. 4 juízo isento: os inocentes do amor, aqueles que nunca se apaixonaram. 5 engenho: talento poético, inspiração. 6 defeitos: inverdades, fantasia. No soneto, Amor teme que
Questão
Enquanto quis Fortuna¹ que tivesse Esperança de algum contentamento, O gosto de um suave pensamento² Me fez que seus efeitos escrevesse.
Porém, temendo Amor³ que aviso desse Minha escritura a algum juízo isento⁴, Escureceu-me o engenho⁵ com tormento, Para que seus enganos não dissesse.
Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos A diversas vontades, quando lerdes Num breve livro casos tão diversos,
Verdades puras são, e não defeitos⁶, E sabei que, segundo o amor tiverdes, Tereis o entendimento de meus versos.
(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018)
Notas: 1 Fortuna: entidade mítica que presidia a sorte dos homens. 2 suave pensamento: sentimento amoroso. 3 Amor: entidade mítica que personifica o amor. 4 juízo isento: os inocentes do amor, aqueles que nunca se apaixonaram. 5 engenho: talento poético, inspiração. 6 defeitos: inverdades, fantasia.
No soneto, Amor teme que
Alternativas
a) o eu lírico perca sua inspiração.
b) a poesia do eu lírico não seja sincera.
c) a poesia do eu lírico não seja compreendida.
d) o eu lírico esqueça sua amante.
e) o eu lírico divulgue seus enganos.
Explicação
No soneto, o eu lírico afirma que, enquanto a Fortuna permitiu alguma esperança de contentamento, ele teve “gosto de um suave pensamento” e isso o levou a escrever (“Me fez que seus efeitos escrevesse”).
Em seguida, vem a ideia central para a pergunta:
- “Porém, temendo Amor que aviso desse / (…) / Para que seus enganos não dissesse.”
Ou seja, Amor (personificado) teme que o eu lírico, ao escrever, revele/denuncie (“aviso desse”) algo que desmascare o próprio Amor — especificamente, seus enganos. Por isso, Amor “escurece o engenho com tormento”, atrapalhando a inspiração, justamente para impedir essa revelação.
Portanto, o que Amor teme é que o eu lírico divulgue os enganos de Amor.
Alternativa correta: (e).