Paciente de 16 anos dá entrada no serviço de emergência devido à alteração do nível de consciência, vômitos e dor abdominal. Negou febre, negou comorbidades. Os pais relatam que o filho está passando por um período de muito estresse devido aos estudos, tendo emagrecido muito nos últimos dias. Também relatam que está muito ansioso, tomando grandes quantidades de água e urinando muitas vezes ao dia. Paciente desidratado 2+/4; emagrecido; restante do exame sem alterações. Com base no diagnóstico mais provável, a melhor conduta inicial dentre as alternativas é:
Questão
Paciente de 16 anos dá entrada no serviço de emergência devido à alteração do nível de consciência, vômitos e dor abdominal. Negou febre, negou comorbidades. Os pais relatam que o filho está passando por um período de muito estresse devido aos estudos, tendo emagrecido muito nos últimos dias. Também relatam que está muito ansioso, tomando grandes quantidades de água e urinando muitas vezes ao dia. Paciente desidratado 2+/4; emagrecido; restante do exame sem alterações. Com base no diagnóstico mais provável, a melhor conduta inicial dentre as alternativas é:
Alternativas
A) Solicitar tomografia de crânio.
B) Hidratação venosa e antibioticoterapia.
C) Coleta de líquor.
D) Lavagem gástrica e administração de carvão ativado.
E) Hidratação venosa e exames laboratoriais.
Explicação
- Quadro clínico e diagnóstico mais provável
- Adolescente com rebaixamento do nível de consciência, vômitos e dor abdominal.
- Poliúria e polidipsia importantes, emagrecimento recente e desidratação ao exame.
- Esse conjunto é altamente sugestivo de descompensação hiperglicêmica, especialmente cetoacidose diabética (CAD) como primeira apresentação de DM1.
- Em CAD, são comuns: desidratação, náuseas/vômitos, dor abdominal, perda ponderal, alteração do sensório e, muitas vezes, taquipneia (Kussmaul) e hálito cetônico (podem não ter sido descritos).
- Melhor conduta inicial (abordagem de emergência)
- A conduta inicial na suspeita de CAD deve priorizar ABC e reposição volêmica (hidratação venosa com cristalóide isotônico), pois a desidratação/hipovolemia é frequente e potencialmente grave.
- Simultaneamente, deve-se confirmar e estratificar a gravidade com exames laboratoriais, pois isso guia as próximas etapas (insulina, potássio, bicarbonato em situações específicas e monitorização):
- Glicemia capilar e plasmática
- Gasometria (pH, bicarbonato)
- Eletrólitos (principalmente ), ureia/creatinina
- Cetonemia/cetonúria, osmolaridade, hemograma e EAS conforme protocolo local
- Análise das alternativas A) Tomografia de crânio: não é a conduta inicial na suspeita de CAD sem sinais focais/trauma/cefaleia intensa ou suspeita de hipertensão intracraniana. B) Hidratação venosa e antibioticoterapia: antibiótico não é conduta inicial sem foco infeccioso ou sinais de infecção (o paciente nega febre e não há achados sugestivos). C) Coleta de líquor: não há quadro sugestivo de meningite/encefalite (sem febre/rigidez de nuca), e não é prioridade. D) Lavagem gástrica e carvão ativado: não há história compatível com intoxicação/ingestão. E) Hidratação venosa e exames laboratoriais: corresponde à medida inicial correta para suspeita de CAD (reposição volêmica + confirmação/estratificação laboratorial imediata).
Alternativa correta: (E).