“Os discursos públicos frequentemente exaltam a transparência e multiplicam campanhas institucionais que prometem acesso irrestrito à informação, mas, na prática, os dados permanecem fragmentados ou inacessíveis. O cidadão, por sua vez, tenta acompanhar tais iniciativas, ora acreditando nos anúncios oficiais, ora desconfiando da distância entre discurso e realidade; por isso, cresce a sensação de descrédito nas instituições.” Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa. (Adaptado para fins pedagógicos). Considerando as relações estabelecidas pelas conjunções coordenativas:

Questão

“Os discursos públicos frequentemente exaltam a transparência e multiplicam campanhas institucionais que prometem acesso irrestrito à informação, mas, na prática, os dados permanecem fragmentados ou inacessíveis. O cidadão, por sua vez, tenta acompanhar tais iniciativas, ora acreditando nos anúncios oficiais, ora desconfiando da distância entre discurso e realidade; por isso, cresce a sensação de descrédito nas instituições.”

Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa. (Adaptado para fins pedagógicos).

Considerando as relações estabelecidas pelas conjunções coordenativas:

Alternativas

A) “e” introduz adição com valor de reforço argumentativo, “mas” marca oposição concessiva e “por isso” indica consequência inferida do conjunto anterior.

B) “e” estabelece soma neutra, “mas” introduz explicação contrastiva e “por isso” expressa causa implícita do enunciado subsequente.

C) “e” sugere progressão causal, “mas” sinaliza quebra de expectativa e “por isso” indica conclusão interpretativa derivada do conflito exposto.

D) “e” indica continuidade temática, “mas” introduz contraste restritivo e “por isso” apresenta consequência lógica do encadeamento discursivo.

92%

E) “e” funciona como operador conclusivo implícito, “mas” marca oposição enfática e “por isso” retoma justificativamente a informação anterior.

Explicação

Vamos identificar a relação semântica que cada conector estabelece no trecho.

  1. “e” em: “...exaltam a transparência e multiplicam campanhas institucionais...”
  • Aqui, coordena duas ações do mesmo sujeito (os discursos públicos), mantendo a mesma linha temática e somando informações de modo aditivo/continuativo (não é conclusivo, nem causal).
  1. “mas” em: “..., mas, na prática, os dados permanecem fragmentados ou inacessíveis.”
  • O texto opõe o discurso de transparência à realidade de inacessibilidade. Isso é um contraste adversativo, com valor de restrição/oposição ao que vinha sendo afirmado (não é concessão do tipo “embora”, e nem explicação).
  1. “por isso” em: “...; por isso, cresce a sensação de descrédito nas instituições.”
  • “Por isso” retoma todo o encadeamento anterior (promessas vs. prática + oscilação do cidadão entre crer e desconfiar) e introduz a consequência: aumento do descrédito. Logo, é consecutivo (consequência lógica do que foi dito antes).

Comparando com as alternativas, a que descreve corretamente: “e” como continuidade/adição, “mas” como contraste restritivo (adversativo) e “por isso” como consequência é a letra D.

Alternativa correta: (D).

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