Represente graficamente as curvas de indiferença dos dois consumidores e interprete cada caso: do Marcelito: $U=f(A,B)=2A-5B$ e do Joãozito: $U=f(C,D)=C+2D$

Questão

Represente graficamente as curvas de indiferença dos dois consumidores e interprete cada caso: do Marcelito: U=f(A,B)=2A−5BU=f(A,B)=2A-5B e do Joãozito: U=f(C,D)=C+2DU=f(C,D)=C+2D

Resposta

Marcelito: U(A,B)=2A−5BU(A,B)=2A-5B.

As curvas de indiferença são os conjuntos de cestas (A,B)(A,B) que mantêm UU constante em um nível ar U:

2A−5B=Uˉ  ⇒  B=25A−Uˉ5.2A-5B=\bar U \;\Rightarrow\; B=\frac{2}{5}A-\frac{\bar U}{5}.

  • Formato: retas.
  • Inclinação (coeficiente angular): 25>0\dfrac{2}{5}>0 (reta crescente).
  • Intercepto em BB: −Uˉ5-\dfrac{\bar U}{5}.
  • Como desenhar (exemplo): escolha dois níveis, por exemplo:
    • Uˉ=0⇒B=25A\bar U=0\Rightarrow B=\frac{2}{5}A (passa pela origem).
    • Uˉ=10⇒B=25A−2\bar U=10\Rightarrow B=\frac{2}{5}A-2 (reta paralela, deslocada para baixo).

Interpretação: aqui AA é um “bem” (aumenta utilidade) e BB é um “mal” (reduz utilidade), pois ∂U/∂A=2>0\partial U/\partial A=2>0 e ∂U/∂B=−5<0\partial U/\partial B=-5<0. Por isso, para manter a mesma utilidade, se você aumenta AA, precisa aumentar BB também (daí a inclinação positiva) para “compensar” o aumento de utilidade trazido por AA com mais desutilidade de BB.

A taxa marginal de substituição (TMS) usual (mantendo UU constante) é:

dU=2 dA−5 dB=0⇒dBdA=25.dU=2\,dA-5\,dB=0 \Rightarrow \frac{dB}{dA}=\frac{2}{5}.

Ou seja, ao aumentar AA em 1 unidade, é preciso aumentar BB em 0,40{,}4 unidade para ficar indiferente.


Joãozito: U(C,D)=C+2DU(C,D)=C+2D.

Curvas de indiferença para nível Uˉ\bar U:

C+2D=Uˉ  ⇒  D=Uˉ2−12C.C+2D=\bar U \;\Rightarrow\; D=\frac{\bar U}{2}-\frac{1}{2}C.

  • Formato: retas.
  • Inclinação: −12<0-\dfrac{1}{2}<0 (reta decrescente, caso “padrão” de dois bens).
  • Intercepto em DD: Uˉ2\dfrac{\bar U}{2}.
  • Como desenhar (exemplo):
    • Uˉ=10⇒D=5−12C\bar U=10\Rightarrow D=5-\frac{1}{2}C.
    • Uˉ=14⇒D=7−12C\bar U=14\Rightarrow D=7-\frac{1}{2}C (paralela acima: maior utilidade).

Interpretação: aqui ambos são bens, pois ∂U/∂C=1>0\partial U/\partial C=1>0 e ∂U/∂D=2>0\partial U/\partial D=2>0. Assim, para manter a utilidade constante, se você aumenta CC, pode reduzir DD (trade-off), o que gera inclinação negativa.

A TMS (quanto de DD o consumidor abre mão ao ganhar 1 unidade de CC, mantendo UU):

dU=dC+2 dD=0⇒dDdC=−12.dU=dC+2\,dD=0 \Rightarrow \frac{dD}{dC}=-\frac{1}{2}.

Ou seja, para aumentar CC em 1 unidade, ele pode reduzir DD em 0,50{,}5 unidade e continuar indiferente.


Comparação final (o que o gráfico “mostra”):

  • No Marcelito, as curvas são crescente porque um item é “bem” (AA) e o outro é “mal” (BB).
  • No Joãozito, as curvas são decrescentes porque ambos são “bens” e há substituição entre eles.

(Sem alternativas.)

Explicação

A questão pede a forma das curvas de indiferença e a interpretação econômica. Para utilidades lineares, as curvas de indiferença são retas obtidas ao fixar U=UˉU=\bar U e isolar uma variável.

  1. Marcelito: U=2A−5BU=2A-5B. Fixando Uˉ\bar U: 2A−5B=Uˉ⇒B=25A−Uˉ52A-5B=\bar U \Rightarrow B=\frac{2}{5}A-\frac{\bar U}{5}. É uma família de retas paralelas com inclinação positiva 2/52/5. Isso ocorre porque AA aumenta utilidade (coeficiente positivo) e BB diminui utilidade (coeficiente negativo). Logo, manter UU constante exige aumentar BB quando AA aumenta, para compensar.

  2. Joãozito: U=C+2DU=C+2D. Fixando Uˉ\bar U: C+2D=Uˉ⇒D=Uˉ2−12CC+2D=\bar U \Rightarrow D=\frac{\bar U}{2}-\frac{1}{2}C. É uma família de retas paralelas com inclinação negativa −1/2-1/2. Aqui ambos são bens (coeficientes positivos), então há trade-off: mais CC permite menos DD mantendo UU.

A TMS vem de dU=0dU=0 e confirma as inclinações: dB/dA=2/5dB/dA=2/5 (Marcelito) e dD/dC=−1/2dD/dC=-1/2 (Joãozito).

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