Paciente masculino, 61 anos, procurou o serviço de emergência referindo piora da dispneia basal nos últimos 3 dias e agora com dispneia ao repouso. Nos últimos dias, vinha utilizando o spray broncodilatador 8 a 10 vezes ao dia com alívio discreto dos sintomas. Nas últimas 2 horas, a falta de ar tornou-se insustentável, o que o fez procurar atendimento. Relatava ainda tosse produtiva com expectoração amarelo-esverdeada e sibilância no mesmo período. Paciente etilista social e tabagista há 46 anos sem outras comorbidades, fazia uso regular de formoterol 12mcg inalado de 12/12h, teofilina 300mg 12/12h e salbutamol spray quando necessário. Estava em regular estado geral, corado, hidratado e afebril. Dispneia ao repouso com agitação. PA 100x70mmHg, FR 32irpm com tiragem intercostal e saturação de 72% em ar ambiente. Sua ausculta pulmonar revelava murmúrios vesiculares diminuídos globalmente com roncos esparsos. Demais exame físico não tinha alteração. Solicitado uma gasometria arterial em ar ambiente, Rx de tórax, hemograma, função renal e eletrólitos. Iniciado oxigenioterapia com cateter nasal a 2L/min, prescrito salbutamol 8 gotas + ipratrópio 35 gts via inalatória, além de 60mg de metilprednisolona endovenosa. Após 1 hora da conduta inicial, o paciente persistia queixando-se de dispneia e agora apresentava-se sonolento, mas ainda responsivo e foi solicitado nova gasometria arterial. 1º Gasometria arterial (em ar ambiente): pH 7,22, PaO2 45mmHg, PaCO2 69mmHg, HCO3 29mEq/L, BE + 4,5, SatO2 73%. 2º Gasometria arterial (com CNO2 2L/min): pH 7,1, PaO2 91mmHg, PaCO2 87mmHg, HCO3 30mEq/L, BE + 5,7, SatO2 96%. Qual seria uma justificativa para a piora clínica e das trocas gasosas exibida pelo paciente no momento da coleta da segunda gasometria arterial?

Questão

Paciente masculino, 61 anos, procurou o serviço de emergência referindo piora da dispneia basal nos últimos 3 dias e agora com dispneia ao repouso. Nos últimos dias, vinha utilizando o spray broncodilatador 8 a 10 vezes ao dia com alívio discreto dos sintomas. Nas últimas 2 horas, a falta de ar tornou-se insustentável, o que o fez procurar atendimento. Relatava ainda tosse produtiva com expectoração amarelo-esverdeada e sibilância no mesmo período. Paciente etilista social e tabagista há 46 anos sem outras comorbidades, fazia uso regular de formoterol 12mcg inalado de 12/12h, teofilina 300mg 12/12h e salbutamol spray quando necessário.

Estava em regular estado geral, corado, hidratado e afebril. Dispneia ao repouso com agitação. PA 100x70mmHg, FR 32irpm com tiragem intercostal e saturação de 72% em ar ambiente.

Sua ausculta pulmonar revelava murmúrios vesiculares diminuídos globalmente com roncos esparsos. Demais exame físico não tinha alteração.

Solicitado uma gasometria arterial em ar ambiente, Rx de tórax, hemograma, função renal e eletrólitos. Iniciado oxigenioterapia com cateter nasal a 2L/min, prescrito salbutamol 8 gotas + ipratrópio 35 gts via inalatória, além de 60mg de metilprednisolona endovenosa.

Após 1 hora da conduta inicial, o paciente persistia queixando-se de dispneia e agora apresentava-se sonolento, mas ainda responsivo e foi solicitado nova gasometria arterial.

1º Gasometria arterial (em ar ambiente): pH 7,22, PaO2 45mmHg, PaCO2 69mmHg, HCO3 29mEq/L, BE + 4,5, SatO2 73%.

2º Gasometria arterial (com CNO2 2L/min): pH 7,1, PaO2 91mmHg, PaCO2 87mmHg, HCO3 30mEq/L, BE + 5,7, SatO2 96%.

Qual seria uma justificativa para a piora clínica e das trocas gasosas exibida pelo paciente no momento da coleta da segunda gasometria arterial?

Alternativas

A. Oferta inadequada de oxigênio sob cateter nasal, que deveria ter sido realizada em máscara de reservatório com maiores fluxos.

B. Hipoventilação alveolar secundária à sonolência do paciente.

C. Supressão do estímulo hipóxico com a oferta de oxigênio, levando à piora da acidose respiratória.

D. Fadiga muscular do paciente que já apresentava indicação de ventilação mecânica desde o início do quadro.

86%

E. Provável embolia pulmonar como fator etiológico da exacerbação do DPOC.

Explicação

  1. Interpretação do quadro clínico
  • Homem de 61 anos, tabagista crônico, em uso de broncodilatadores de longa ação e teofilina, com exacerbação infecciosa (escarro amarelo-esverdeado), dispneia importante, tiragem, SatO2 72% em ar ambiente e rebaixamento do nível de consciência após 1 hora.
  • Isso sugere exacerbação grave de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica.
  1. Análise da 1ª gasometria (ar ambiente)
  • pH 7,22 (acidemia) com PaCO2 69 mmHg (hipercapnia) e HCO3 29 mEq/L (compensação metabólica parcial).
  • PaO2 45 mmHg e SatO2 73%: hipoxemia grave. Conclusão: insuficiência respiratória aguda sobre crônica (ou aguda com retenção de CO2) com acidose respiratória significativa.
  1. O que mudou na 2ª gasometria (O2 2 L/min)
  • PaO2 subiu para 91 mmHg e SatO2 96%: a oxigenação melhorou.
  • PaCO2 piorou (69 → 87 mmHg) e o pH caiu (7,22 → 7,10): piora importante da ventilação alveolar (retenção de CO2) e da acidemia.
  • Clinicamente, ele ficou sonolento, o que é compatível com narcoses por CO2/hipercapnia e falência ventilatória.
  1. Justificativa mais provável para piora clínica e das trocas gasosas Em exacerbação grave de DPOC, o paciente pode evoluir com falência ventilatória por exaustão/fadiga da musculatura respiratória, após esforço ventilatório sustentado (FR elevada, uso de musculatura acessória e tiragem). Isso leva a queda progressiva da ventilação alveolar, retenção de CO2, piora do pH e rebaixamento do nível de consciência.
  • Embora a oferta de oxigênio possa, em alguns pacientes com DPOC, contribuir para aumento de PaCO2 (mecanismos como piora do V/Q e efeito Haldane, além de eventual redução do drive ventilatório), a explicação mais consistente aqui é a progressão para falência ventilatória por fadiga muscular: havia acidose importante já na admissão (pH 7,22) e sinais de esforço ventilatório, e em apenas 1 hora houve deterioração neurológica e elevação acentuada da PaCO2.
  1. Por que as demais alternativas são menos adequadas A) Máscara com reservatório e alto fluxo poderia até piorar a hipercapnia se hiperoxigenar; além disso, a PaO2 já aumentou bastante com 2 L/min, então não é “oferta inadequada”. B) A sonolência é mais consequência da hipercapnia do que causa inicial; a causa de base é a falência ventilatória (fadiga) que eleva CO2 e leva à sonolência. C) “Supressão do estímulo hipóxico” isoladamente é explicação simplista e menos provável como principal fator neste cenário de falência ventilatória iminente já presente desde o início. E) TEP não explica bem a hipercapnia acentuada (TEP costuma cursar com hipocapnia por hiperventilação) e não justificaria essa evolução típica de retenção de CO2.

Alternativa correta: D.

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