Sobre as fraturas expostas, é CORRETO afirmar:

Questão

Sobre as fraturas expostas, é CORRETO afirmar:

Alternativas

A) A classificação de Gustilo-Anderson baseia-se no tamanho da laceração da pele, na presença de hemorragia ativa e na quantidade de fragmentos ósseos expostos.

B) No atendimento primário, deve ser tentado reposicionar o fragmento ósseo de todas as fraturas expostas, na tentativa de evitar contaminação durante o transporte.

C) Antibioticoterapia precoce não é indicada para fraturas expostas sem sinais de contaminação, independentemente de sua classificação, e a profilaxia antitetânica só é indicada em casos de fraturas com sujidade por terra.

Resposta certa

D) Todos os pacientes com comprometimento neurovascular necessitam de redução urgente, seguida de avaliação pela cirurgia vascular.

E) Fraturas expostas tipos I e II pela classificação de Gustilo devem ser reduzidas e desbridadas somente após 48 horas do trauma.

Explicação

Vamos analisar cada alternativa à luz da conduta clássica no atendimento ao trauma e no manejo de fraturas expostas.

A) Incorreta. A classificação de Gustilo-Anderson considera principalmente: tamanho da ferida, grau de contaminação, extensão do dano de partes moles (incluindo descolamento/perda de cobertura) e padrão/energia do trauma (ex.: alta energia, esmagamento), além de subtipos no tipo III (IIIA, IIIB, IIIC). Não é uma classificação baseada especificamente em “presença de hemorragia ativa” e “quantidade de fragmentos expostos” como critérios centrais.

B) Incorreta. No atendimento inicial não se deve tentar reintroduzir/recolocar fragmento ósseo exposto na cena/atendimento primário. A conduta é cobrir a ferida com curativo estéril, imobilizar, analgesia, antibiótico precoce e encaminhar para tratamento definitivo (redução, irrigação e desbridamento em centro cirúrgico). Manipulação inadequada aumenta risco de contaminação e lesão adicional.

C) Incorreta. Em fratura exposta, a antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente (idealmente o quanto antes) independentemente de sinais evidentes de contaminação, pois o risco de infecção é inerente à comunicação com o meio externo. Além disso, a profilaxia antitetânica depende do estado vacinal e do tipo de ferida (tetanígena ou não), não sendo restrita apenas a “sujidade por terra”.

D) Correta. Na suspeita de comprometimento neurovascular, a conduta imediata inclui redução/alinhamento urgente (por exemplo, para aliviar compressão/tração vascular por deformidade), seguida de reavaliação neurovascular. Persistindo sinais de isquemia/lesão vascular (ou se houver sinais “duros” de lesão vascular), o paciente deve ser avaliado e manejado com prioridade, frequentemente com cirurgia vascular. Assim, a ideia central da alternativa (redução urgente e avaliação vascular) está de acordo com a abordagem padrão.

E) Incorreta. Fraturas expostas não devem ter desbridamento “somente após 48 horas”. A irrigação e o desbridamento são indicados em tempo apropriado após estabilização clínica, e a tendência é realizar de forma precoce, especialmente em lesões mais graves/contaminadas. Atraso de 48 horas não é conduta correta para tipos I e II.

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