Mário, 49 anos, portador de gota há muitos anos, refere que parou o tratamento há 1 ano e apresentou crise aguda de artrite em joelho três dias após reiniciar a medicação hipourecimiante. A conduta a ser tomada é:

Questão

Mário, 49 anos, portador de gota há muitos anos, refere que parou o tratamento há 1 ano e apresentou crise aguda de artrite em joelho três dias após reiniciar a medicação hipourecimiante. A conduta a ser tomada é:

Alternativas

A) Tratar a crise aguda e trocar a medicação para outro tipo de medicação hipourecimiante.

B) Tratar a crise aguda e suspender a medicação recentemente reiniciada.

78%

C) Tratar a crise aguda e aumentar a dose da medicação hipourecimiante.

D) Realizar a punção da articulação acometida e pesquisar cristais antes de definir a melhor forma de tratar.

E) Avaliar o nível de ácido úrico e de uricosúria de 24 horas antes de decidir qual terapia administrar.

Explicação

  1. Em pacientes com gota, a (re)introdução de terapia hipouricemiante (ex.: alopurinol, febuxostate, uricosúricos) pode precipitar crise aguda nos primeiros dias/semanas, pois a mudança rápida do nível de urato favorece mobilização de cristais.

  2. Conduta durante a crise aguda:

  • Tratar a crise com anti-inflamatório (AINE), colchicina e/ou corticoide (conforme contraindicações e gravidade).
  1. O ponto central da questão é o que fazer com a medicação hipouricemiante que foi reiniciada e desencadeou a crise:
  • Quando a crise ocorre logo após iniciar/reiniciar hipouricemiante, a conduta clássica em provas é suspender temporariamente o hipouricemiante e tratar a crise; depois, reiniciar de forma gradual (dose baixa e titulação) e idealmente com profilaxia (colchicina baixa dose ou AINE) por alguns meses para reduzir novas crises.
  1. Análise das alternativas:
  • (A) Trocar a medicação não é necessário apenas por precipitar crise; isso pode ocorrer com qualquer hipouricemiante.
  • (C) Aumentar dose na crise tende a piorar a instabilidade do urato.
  • (D) Punção e pesquisa de cristais é útil quando há dúvida diagnóstica (ex.: suspeita de artrite séptica), mas o caso descreve gota conhecida e relação temporal típica com reinício do hipouricemiante.
  • (E) Dosagens podem ser feitas no manejo crônico, mas não são o passo principal para a conduta imediata descrita.

Alternativa correta: (B).

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